Água e mata: um único caminho para não ficarmos sem elas

  • 25/jan/2017

Para preservar os recursos hídricos, a Cesan investe em medidas ambientais e de saneamento básico no Espírito Santo. Entre os objetivos está a proteção e a recuperação de mananciais.

Todo o meio ambiente é interligado, por isso não é possível separar um recurso natural do outro. Água e matas, por exemplo, caminham sempre juntas. A vegetação está diretamente ligada à infiltração da água no solo, que é determinante para a preservação dos rios. A relação fica ainda mais forte quando se trata da mata que cobre as áreas de preservação das bacias hidrográficas favorecendo a infiltração e a recarga dos reservatórios naturais subterrâneos, estabilizando e protegendo as margens, impedindo a erosão e o assoreamento dos córregos e rios.

Maria Helena Alves, gestora ambiental da Cesan, explica que a vazão do rio é resultado de tudo que acontece na bacia hidrográfica. “O que inclui preservação da mata ou desmatamento; urbanização; tipo de solo; declividade do terreno e do rio; nascentes preservadas ou não; margens do rio com mata ciliar ou não; existência de reservatórios ou não; além das captações e lançamentos em seus cursos d’água”.

16326092_10202710203233788_214710412_o

Para preservar os recursos hídricos, a Cesan, em parceria com o Governo do Estado, investe em medidas como o Programa das Águas e da Paisagem, que é o maior conjunto de ações ambientais e de saneamento básico da história do Espírito Santo. Entre seus objetivos está a proteção e a recuperação de mananciais como o Rio Mangaraí, que faz parte da Bacia do rio Santa Maria da Vitória que, junto com a Bacia do rio Jucu, abastecem toda a Grande Vitória. Trata-se de um investimento de R$ 14 milhões, durante cinco anos para a restauração de 450 hectares de áreas degradadas.

Outra iniciativa do Governo do Espírito Santo é o Programa Reflorestar. É uma iniciativa, com foco em recuperação florestal, para promover a restauração do ciclo das águas. A meta é ampliar a área de Mata Atlântica no Estado em 80 mil hectares até 2018. Para isso, o programa oferece ao produtor rural pagamento por serviços ambientais. Em contrapartida, o beneficiário oferece mão de obra para preparar, plantar e manter as áreas recuperadas.

Mantendo um rio vivo

As nascentes são manifestações superficiais de água armazenada em reservatórios subterrâneos, chamados de aquíferos ou lençóis, que dão início a pequenos cursos d’água através das nascentes, que formam os córregos que, se juntando, originam os riachos e, dessa forma, surgem os rios. Para a preservação dessas nascentes, devem ser adotadas medidas de proteção ao solo e, principalmente, de recuperação ambiental, como o reflorestamento.

O trabalho de conservação e restauração da vegetação na bacia hidrográfica deve ser feito com espécies adequadas e, de preferência, nativas do local. “As raízes das plantas melhoram a infiltração de água no subsolo, abastecendo o lençol freático, além de melhorar as características químicas, físicas e biológicas do terreno. A composição do solo e das raízes da vegetação funcionam como esponjas naturais, que permitem a infiltração e recarga da água no solo, formando os lençóis, que são verdadeiros “rios subterrâneos”, que alimentam as nascentes e rios por muito mais tempo, mesmo em períodos de estiagem”, esclarece Maria Helena.

Empreendedorismo sustentável

Grande parte dos rios e córregos nascem nas propriedades rurais, por isso, os produtores sentem na pele a importância de cuidar das matas ciliares e das nascentes. Agrônomo e administrador do segmento de ecoturismo em Pedra Azul, Edmar Binotti assistiu de perto a importância de conhecer o solo antes de investir na recuperação das matas.

Há 23 anos, ele fez um trabalho de proteção de nascentes na fazenda que administra. “Uma delas teve o volume multiplicado por dez. Em outras, houve maior infiltração de água no solo. O importante neste processo é conhecer o terreno e plantar espécies adequadas a ele. Além da relação direta com o fluxo da água, a recuperação das matas reaproxima os pássaros do local que, por sua vez, fazem o trabalho de regeneração natural da mata”, conta Edmar.

Para preservar ainda mais as nascentes, o agrônomo aposta no reaproveitamento dos recursos hídricos na propriedade. “Tratamos todo o esgoto. A água é infiltrada nas pastagens e também incrementa o ecoturismo na propriedade. Além disso, temos sistemas que reservam mais de 10 milhões de litros de água de chuva. Tudo isso preserva a bacia”, finaliza.

Publicidade