Muito além das uvas: o que tem no “vinho” que você não vê…

  • Luiz Cola
  • 13/set/2013
  • 4 Comentários

O vinho muito além dos taninos…
Acredito que a maioria das pessoas que bebem vinho não sabem que além do corriqueiro conservante anidrido sulfuroso (SO2), existem dezenas de outras substâncias, “aditivos” e técnicas enológicas desenvolvidas pela indústria vinícola para melhorar, corrigir e proteger o vinho. Todas elas, permitidas pela legislação italiana (podendo sofrer variações de país para país), mas que quase nunca são informadas nos rótulos ou nas fichas técnicas divulgadas pelos sites das vinícolas.
Essa esclarecedora ilustração de origem italiana, publicada por uma colega enófila, num fórum sobre vinhos naturais e tradicionais do qual faço parte, permite que qualquer tipo de consumidor tenha uma exata noção do tamanho da manipulação química a qual a grande maioria dos vinhos está sujeita. 
Fiz uma tradução básica dos produtos listados na ilustração (me corrijam profissionais da área se encontrarem algo errado), para que você tenha uma ideia daquilo que você não “vê”, mas que pode estar dentro do vinho que você bebe… Mas que fique claro, não estou fazendo nenhuma “cruzada” contra ou a favor do uso destes “aditivos”, estou simplesmente informando…
Vinhos convencionais
Ácido cítrico, ácido L(+) tartárico, ácido L-ascórbico, ácido L-málico, ácido láctico, ácido metatartárico, acidificação por eletrodiálise com membrana bipolar, albumina de ovo, anidrido sulfuroso (SO2), auto- enriquecimento por evaporação, auto-enriquecimento por osmose reversa, bactérias lácteas, bentonita, bicarbonato de potássio, bissulfito de potássio, bissulfito de amônio, carbonato de cálcio, carboximetilcelulose (CMC), goma de celulose, caseinato de potássio, caseína, carvão enológico, quitina- glucano, quitosana, citrato de cobre, cola de peixe, cloridrato de tiamina, dióxido de silício (sílica gel), cascas de levedura, eletrodiálise, enzimas beta-glucanase, fermentação alcoólica espontânea, pasteurização rápida, gelatina, goma arábica, fosfato de amônio, cremor tártaro, levedura seca ativa (ADY), lisozima, proteínas de leveduras, proteína de origem vegetal obtida a partir de trigo ou ervilhas, metabissulfito de potássio, microfiltração tangencial, lascas de carvalho, mosto concentrado retificado, polivinilpolipirrolidona (PVPP), enzimas para a ativação de resinas de pectinase, sulfato de amônio, taninos enológicos e tartarato neutro de potássio.
Vinhos biológicos (desde 2012) 
Ácido cítrico, ácido L(+) tartárico, ácido L-ascórbico, ácido láctico, ácido metatartárico, albumina de ovo, auto-enriquecimento por evaporação, auto-enriquecimento por osmose reversa,  bactérias lácteas, bentonita, bissulfito de potássio, metabissulfito de potássio, bicarbonato de potássio, carbonato de cálcio, caseinato de potássio, caseína, carvão enológico,  citrato de cobre, cola de peixe, cloridrato de tiamina, dióxido de silício (sílica gel), cascas de levedura, fermentação espontânea, gelatina, goma arábica, fosfato de amônio, cremor tártaro, levedura seca ativa (ADY), proteína de origem vegetal obtido a partir de trigo ou ervilhas, microfiltração tangencial, lascas de carvalho, mosto concentrado, mosto concentrado retificado, enzimas para a ativação de pectinase, sulfato de cobre, taninos enológicos, tartarato neutro de potássio, dióxido de enxofre (SO2).
Vinhos biodinâmicos 
Albumina de ovo, dióxido de enxofre (SO2), bentonita, carvão enológico e microfiltração tangencial.
Vinhos naturais
Dióxido de enxofre (SO2)
Agora que você já tem uma clara ideia do anda bebendo, cabe a você tirar suas próprias conclusões e decidir o que (não) beber…

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4 COMENTÁRIOS

  • Antónia de Azevedo - 18 de novembro de 2016 às 13:28

    E como saber os ingredientes que os vinhos contêm?

    • Luiz Cola

      Luiz Cola - 20 de novembro de 2016 às 19:36

      Olá Antônia,
      Na prática, a vinícola só coloca no contra-rótulo aquilo é obrigada por lei, ou seja, basicamente informa que adicionou anidrido sulfuroso ao vinho.
      Outros “componentes enológicos” permitidos não aparecem neles. Chips de madeira, correção de acidez e chaptalização (adição de açúcar durante a fermentação) são práticas comuns em vinhos produzidos em larga escala. Quanto mais simples e ordinário for o vinho, maior a probabilidade de intervenção existe. Mas mesmo “grandes vinhos” fazem uso desses artifícios. Isso não significa que o vinho possa fazer algum mal, apenas que passam por correções para ficarem mais palatáveis.
      Abs,
      Luiz Cola

  • ELIZEO PEREIRA - 26 de setembro de 2017 às 11:26

    Eu bebo meu próprio vinho, achava que não era bom, depois das suas informações acho ele ótimo. Muitíssimo obrigado.

  • Simone Figueiredo - 13 de novembro de 2017 às 18:13

    Gostei muito das informações. Sou apenas uma apreciadora de vinhos, mas tenho percebido um sabor diferente de uns dois anos para cá. Talvez seja por causa dos aditivos. Já estou receosa de continuar consumindo os tradicionais mais em conta.
    Obrigada pelas informações.

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