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Tabocas, o vinho capixaba protegido por Santa Teresa e abençoado pelo Espírito Santo!

  • Luiz Cola
  • 12/ago/2014
  • 2 Comentários

Desses pequenos cachos de Cabernet Sauvignon nasce o Tabocas… 

Talvez haja um certo exagero no título deste post ao dizer que esse vinho é “protegido” por Santa Teresa, na verdade o nome do município onde ele é produzido, e “abençoado” pelo Espírito Santo, nome do estado onde ele está, mas considerando as poucas probabilidades a favor de sua existência, certamente sou levado a crer que alguém muito especial zela por ele.
Vale do Tabocas: entre eucaliptos e pés de café surge um bravo vinhedo…
Imaginar que alguém tentaria produzir vinhos finos numa região totalmente fora do mapa vitícola nacional, que sempre enfrentou grandes desafios para obter uvas de qualidade ideal, é algo que beira o surreal. Mas o pioneirismo (e uma boa dose de teimosia) parece estar impregnado no DNA de algumas pessoas. Eis que no ano de 2006, três delas uniram seus conhecimentos sobre terra, cultivo de uvas e produção de vinhos para criar esse improvável vinhedo no Vale do Tabocas, cerca de 10 km da cidade de Santa Teresa.
Vinhas protegidas com tela especial contra os ávidos pássaros da região
Contando com menos de 0,5 hectare de vinhas de Cabernet Sauvignon, o vinhedo de Tabocas exigiu uma série de medidas especiais para ser bem sucedido. A primeira e mais importante delas foi a realização da “poda invertida”, uma técnica agrícola que “engana” a videira e a faz pesar que está no hemisfério norte, ou seja, a produção de suas uvas se dá no inverno local (agosto/setembro) e não no final do verão (fevereiro/março). Desse modo, o período da colheita das uvas se dá na estação mais seca do ano, proporcionando uvas mais sadias e concentradas, perfeitas para vinhos de qualidade superior.
Outra medida vital é a proteção quase que total das videiras (foto acima) com telas apropriadas para essa finalidade, caso contrário, as uvas maduras seriam alvo fácil dos pássaros à espreita de alimento fácil.  
Três semanas antes da colheita: Vinicius Corbelini mede o teor de açúcar das uvas
Apesar de todos os desafios no cultivo de uvas viníferas, algumas coisas contribuem a favor, especialmente a boa amplitude térmica da região, que nessa época do ano é superior a 20ºC entre o dia e noite (mínimas abaixo dos 10ºC e máximas que podem ficar acima dos 30ºC). A ausência de chuvas no período da colheita é outro fator importante, propiciando boa sanidade para as plantas e alta concentração de açúcar nas uvas. Nas medições que tivemos a chance de observar, faltando ainda três semanas para a colheita, as uvas já estão com níveis de açúcar iguais ou ligeiramente superiores a 20 graus Babo, capazes de gerar um teor alcoólico na faixa dos 12-13º GL. De quebra, as análises laboratoriais do vinho da safra 2013 indicaram níveis recordes de resveratrol (6,17 mg/l).  
Agora é só esperar a colheita da safra 2014 no dia 26 de agosto…
Depois que forem finalmente colhidas, essas preciosas uvas de Cabernet Sauvignon seguirão para a “garagem”, literalmente, onde serão cuidadosamente fermentadas e o mosto resultante será amadurecido em tanques de inox. Uma pequena parte do lote será reservada e irá estagiar numa barrica de carvalho francês novo (a partir da safra 2012) por mais 6 meses antes de ser engarrafada.
“Vin de garage” que se preza é produzido assim…
Produzido com grande esforço e esmero desde 2009, o Tabocas atingiu um patamar de qualidade muito promissor já na safra 2012, com um vinho bem elaborado e verdadeiro, sem qualquer tipo de maquiagem, com um delicioso caráter frutado, leve toque herbáceo e taninos finos, dignos de deixarem seus criadores muito orgulhosos.
Desta barrica saíram as primeiras 287 garrafas do Tabocas OAK 2012
Nesta mesma safra (2012) seus produtores foram ainda mais longe e ousaram fazer sua primeira experiência de estagiar o vinho em uma única barrica de carvalho francês novo. A aposta parece ter sido frutífera, pois o vinho, recém colocado no mercado, já obteve comentários favoráveis e elogios dos poucos felizardos que já o provaram. 
Tabocas OAK 2012, o “vin de garage” das montanhas capixabas
Apesar de ter garantido algumas garrafas para mim, ainda não o degustei, já que decidi deixar para experimentar essa versão com passagem em madeira do Tabocas quando estiver reunido com outros amigos ávidos em conhecê-lo. Nos próximos dias divulgarei minhas impressões sobre ele…

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2 COMENTÁRIOS

  • Miguel F. - 5 de fevereiro de 2016 às 18:41

    Bom, amigos estou curioso se a safra 2014 foi produtiva no vinhedo em experiencia.
    Grato pela atenção. Miguel

  • Tabocas, o vinho capixaba protegido por Santa Teresa e abençoado pelo Espírito Santo! – sindibebidas - 19 de abril de 2017 às 17:50

    […] Talvez haja um certo exagero no título deste post ao dizer que esse vinho é “protegido” por Santa Teresa, na verdade o nome do município onde ele é produzido, e “abençoado” pelo Espírito Santo, nome do estado onde ele está, mas considerando as poucas probabilidades a favor de sua existência, certamente sou levado a crer que alguém muito especial zela por ele. Vale do Tabocas: entre eucaliptos e pés de café surge um bravo vinhedo… Imaginar que alguém tentaria produzir vinhos finos numa região totalmente fora do mapa vitícola nacional, que sempre enfrentou grandes desafios para obter uvas de qualidade ideal, é algo que beira o surreal. Mas o pioneirismo (e uma boa dose de teimosia) parece estar impregnado no DNA de algumas pessoas. Eis que no ano de 2006, três delas uniram seus conhecimentos sobre terra, cultivo de uvas e produção de vinhos para criar esse improvável vinhedo no Vale do Tabocas, cerca de 10 km da cidade de Santa Teresa. Vinhas protegidas com tela especial contra os ávidos pássaros da região Contando com menos de 0,5 hectare de vinhas de Cabernet Sauvignon, o vinhedo de Tabocas exigiu uma série de medidas especiais para ser bem sucedido. A primeira e mais importante delas foi a realização da “poda invertida”, uma técnica agrícola que “engana” a videira e a faz pesar que está no hemisfério norte, ou seja, a produção de suas uvas se dá no inverno local (agosto/setembro) e não no final do verão (fevereiro/março). Desse modo, o período da colheita das uvas se dá na estação mais seca do ano, proporcionando uvas mais sadias e concentradas, perfeitas para vinhos de qualidade superior. Outra medida vital é a proteção quase que total das videiras (foto acima) com telas apropriadas para essa finalidade, caso contrário, as uvas maduras seriam alvo fácil dos pássaros à espreita de alimento fácil. Três semanas antes da colheita: Vinicius Corbelini mede o teor de açúcar das uvas Apesar de todos os desafios no cultivo de uvas viníferas, algumas coisas contribuem a favor, especialmente a boa amplitude térmica da região, que nessa época do ano é superior a 20ºC entre o dia e noite (mínimas abaixo dos 10ºC e máximas que podem ficar acima dos 30ºC). A ausência de chuvas no período da colheita é outro fator importante, propiciando boa sanidade para as plantas e alta concentração de açúcar nas uvas. Nas medições que tivemos a chance de observar, faltando ainda três semanas para a colheita, as uvas já estão com níveis de açúcar iguais ou ligeiramente superiores a 20 graus Babo, capazes de gerar um teor alcoólico na faixa dos 12-13º GL. De quebra, as análises laboratoriais do vinho da safra 2013 indicaram níveis recordes de resveratrol (6,17 mg/l). Agora é só esperar a colheita da safra 2014 no dia 26 de agosto… Depois que forem finalmente colhidas, essas preciosas uvas de Cabernet Sauvignon seguirão para a “garagem”, literalmente, onde serão cuidadosamente fermentadas e o mosto resultante será amadurecido em tanques de inox. Uma pequena parte do lote será reservada e irá estagiar numa barrica de carvalho francês novo (a partir da safra 2012) por mais 6 meses antes de ser engarrafada. “Vin de garage” que se preza é produzido assim… Produzido com grande esforço e esmero desde 2009, o Tabocas atingiu um patamar de qualidade muito promissor já na safra 2012, com um vinho bem elaborado e verdadeiro, sem qualquer tipo de maquiagem, com um delicioso caráter frutado, leve toque herbáceo e taninos finos, dignos de deixarem seus criadores muito orgulhosos. Desta barrica saíram as primeiras 287 garrafas do Tabocas OAK 2012 Nesta mesma safra (2012) seus produtores foram ainda mais longe e ousaram fazer sua primeira experiência de estagiar o vinho em uma única barrica de carvalho francês novo. A aposta parece ter sido frutífera, pois o vinho, recém colocado no mercado, já obteve comentários favoráveis e elogios dos poucos felizardos que já o provaram. Tabocas OAK 2012, o “vin de garage” das montanhas capixabas Apesar de ter garantido algumas garrafas para mim, ainda não o degustei, já que decidi deixar para experimentar essa versão com passagem em madeira do Tabocas quando estiver reunido com outros amigos ávidos em conhecê-lo. Nos próximos dias divulgarei minhas impressões sobre ele fonte: Folha Vitoria […]

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