Clos Mogador 2007

Direto da Taça: Clos Mogador 2007, um clássico portento do Priorato!

  • Luiz Cola
  • 10/jan/2016
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Passados mais de dez anos, ainda me lembro bem do impacto que me causou a primeira taça degustada de um ainda jovem Clos Mogador da excepcional safra 2001. Naquela época eu fiquei realmente encantado com o vigor da fruta madura que explodia nas minhas narinas e preenchia todo o palato com seu caldo denso e muito bem balanceado. Creio que o julguei como o melhor vinho da Espanha bebido até aquela ocasião. Na primeira oportunidade que tive comprei uma garrafa para guardar e outra para beber.

Elaborado a partir de um vinhedo de inclinação dramática que demanda a criação de terraços (acima) o Clos Mogador é resultado de uma mescla de 40% Garnacha, 22% Cariñena, 20% Cabernet Sauvignon e 18% Syrah, amadurecido por 18 meses em barricas novas de carvalho francês (70% novas e 30% de 2º uso) com 300 litros de capacidade (um pouco maiores que as tradicionais bordalesas de 225 litros).

Essa obra-prima do enólogo René Barbier obteve tamanha consistência desde sua primeira safra (1989) que foi agraciado com a qualificação “Vino de Finca”, o primeiro rótulo da Espanha a recebê-lo. Basicamente esse título reconhece e garante que todas as uvas utilizadas neste vinho vem exclusivamente desse vinhedo e que ele já possui um grande reconhecimento internacional por mais de dez anos.

Mas vamos voltar ao Clos Mogador 2007 bebido nessa semana: o vinho não mudou nada! Apesar dos nove anos de idade, ele continua a oferecer aquela explosiva combinação de fruta escura e muito madura, quase licorosa, com uma concentração incrível de taninos potentes e aveludados que perduram longamente na boca. Um portento!

A fórmula do vinho segue a mesma receita infalível das safras anteriores que lhe trouxeram fama, mas, ironicamente, meus critérios de apreciação já não são mais os mesmos uma década depois. Respeito a primorosa qualidade e o estilo vigoroso do Clos Mogador, mas meu gosto evoluiu (ou involuiu, a depender do ângulo de cada um…) para dar preferência aos vinhos mais austeros, menos concentrados e com maior teor de acidez. Vinhos capazes de renovar meu desejo por outra taça sem cansar meu palato.

O Clos Mogador 2007 mostrou-se um grande vinho, daqueles capazes de fazer muito sucesso especialmente em degustações, mas já não é o meu vinho preferido da Espanha há algum tempo. C’est la vie!

Importado pela Mistral (R$517 – safra 2010 – Dólar a R$2,59)

Site do produtor: http://www.closmogador.com

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