Descubra os principais defeitos capazes de estragar seu vinho predileto!

  • Luiz Cola
  • 03/maio/2016
  • 2 Comentários

Quase sempre imperceptíveis até o momento em que uma garrafa de vinho é aberta e seu conteúdo, vertido na taça, alguns defeitos que podem torná-lo absolutamente inapto ao consumo, ou, em menor escala, totalmente desprovido de prazer sensorial.

Apesar do percentual de garrafas problemáticas ser pequeno, inferior a 5% do total em média, sempre é bom saber com o quê estamos lidando quando nos deparamos com um vinho dominado por aromas e/ou sabores indesejados (desconsiderando, é claro, aqueles que são naturalmente ruins).

A revista americana Wine Enthusiast convidou o experiente sommelier Michael Madrigale para listar os sete principais defeitos que podem estar presentes num vinho. Eles são capazes de estragar por completo o conteúdo de uma boa garrafa e nos obrigar a jogá-lo no ralo…

Bouchonée

Esse defeito é claramente perceptível pelos aromas típicos de papelão molhado e cachorro molhado (o famoso foxy para os ingleses).

O culpado é um composto químico conhecido como TCA (2,4,6-tricloroanisol) se instala em algumas rolhas e superfícies úmidas mal higienizadas, como um barrica de vinho, por exemplo.

O composto é tão potente que, mesmo em pequenas doses, é capaz de aniquilar com qualquer vinho. Se o ele aparecer na sua garrafa, só lhe resta derramá-lo na pia, sem piedade!

Fechado

Esse termo descreve um vinho completamente sem expressão, quase inodoro e/ou insípido. Isso pode ocorrer simplesmente porque o vinho ainda é muito jovem e não se “arranjou” completamente.

Outra possibilidade é ele ter sido acometido pelo “bottle shock” (quando um vinho viajou recentemente e ficou abalado durante o transporte).

Nesses casos, resta uma esperança: deixe-o repousar por algumas horas… Como o vinho é uma bebida “viva”, ele poderá voltar a exalar bons aromas e surpreender seu paladar após algum tempo de espera.

Passado

Aquela máxima que diz “quanto mais velho, melhor” não vale para a grande maioria dos vinhos!

Se uma garrafa com uma década ou mais de guarda apresentar um aroma de cogumelos molhados (e mofados), e tiver um paladar unidimensional, sem acidez, é quase certo que o tempo foi demais para ele.

Não tem jeito, o ralo da pia é o destino final dele…

Oxidado

Quando encontramos aromas de caramelo queimado aparecem em vinhos brancos ou aqueles que lembram um cubo de caldo de carne nos tintos, é quase certo que seu vinho esteja oxidado.

Outro indicador bastante eficaz para identificar vinhos oxidados é a cor: um branco que deveria ser amarelo palha e está alaranjado é mau sinal. O mesmo vale para um vinho marrom que deveria ser vermelho vivo ou púrpura.

Essa oxidação ocorre normalmente por causa da exposição ao ar em excesso, seja durante a vinificação, por conta de uma rolha defeituosa ou exposta a variações bruscas de temperatura. O jeito é descartar o avinagrado conteúdo…

Reduzido

Os cheiros característicos de enxofre, fósforo aceso e borracha queimada dizem tudo! A redução é o oposto da oxidação, ocorrendo quando um vinho não é exposto ao ar por tempo suficiente durante a vinificação.

Existem algumas maneiras peculiares de minimizar esse problema (como usar uma moeda de cobre dentro do vinho!), matando o dióxido de enxofre fedorento que foi criado durante a etapa de fermentação. Sinceramente, mande ele para o lixo!

Cheiro de enxofre

Mais uma vez o enxofre… Encontrar cheiro de ovo podre, geralmente combinado com uma pontada desagradável no nariz e na garganta é a certeza de problemas.

Apesar do dióxido de enxofre (SO2) ser muito útil para evitar a deterioração dos vinhos, em excesso ele pode afetá-lo de um modo muito mais negativo.

Assim como no defeito anterior, a moedinha de cobre pode reduzir o problema, mas a sensação de algo está errado vai continuar na sua mente… Jogue fora!

Brett (ou Brettanomyces)

Esse é um dos mais controversos defeitos aromáticos presentes nos vinhos: uns odeiam, outros adoram! Em pequenas doses, esse “perfume” que lembra (nas palavras de Madrigale) desde “estábulos de cavalos” até um “vestiário de alunos do ensino médio” pode ser um elemento associado a complexidade do vinho, mas se for demais…

brettanomyces é uma levedura que ocorre naturalmente no vinho, mas normalmente é associada como um defeito sério quando se expressa dentro da garrafa. Em muitos vinhos, por razões diversas, um toque característico de “brett” até os torna mais marcantes e interessantes. Nesses casos, cada garrafa e cada produtor conta uma história diferente…

Enfim, quando se trata dos seus sentidos, confie, siga seus instintos, mas nunca deixe de duvidar um pouquinho deles…

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2 COMENTÁRIOS

  • Vanessa Crisostomo - 12 de agosto de 2017 às 15:54

    Olá
    Quando aparece no vinho umas partículas brancas que se desmancham assim q a tocamos parecem gorduras ou espuma ?
    O que seria isso?
    Obrigada

    • Luiz Cola

      Luiz Cola - 12 de agosto de 2017 às 19:39

      Olá Vanessa,
      Pela sua descrição, podem ser impurezas como algum resto de rolha, gordura do contato com os lábios ou espuma resultante de agitação da garrafa.
      De qualquer modo, nada disso interfere de no sabor ou olfato do vinho.
      Abs,
      Luiz Cola

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