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Desafio às cegas: 5 espumantes tops nacionais enfrentam um legítimo champagne!

  • Luiz Cola
  • 09/dez/2016
  • 1 Comentário

Calor! A chegada do verão e das festas de fim de ano são dois fatores que contribuem decisivamente para o incremento no consumo de espumantes em todo o país. Para nossa sorte, temos o privilégio de contar com uma série de rótulos nacionais com elevada qualidade, capazes de fazer um belo papel em qualquer mesa, suplantando a maioria dos proseccos, cavas, cremants e outros tipos de espumantes importados, rivalizando até mesmo com o mais célebre de todos eles: o champagne!

Convicto da qualidade de nossos espumantes, decidi selecionar cinco rótulos especiais, de baixa produção e feitos com muito esmero, para avaliar como eles se portariam (às cegas) diante de um nobre champagne. O foco principal não era a disputa em si, mas apenas dimensionar a provável “distância” entre os nacionais e o clássico francês.

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Os espumantes brasileiros escolhidos para enfrentar o champagne, um non-vintage Agrapart 7 Crus Brut, foram: o bem conhecido Excellence Cuvée Prestige (Chandon), o recém lançado Victoria Geisse Extra Brut Vintage Gran Reserva (Cave Geisse), o rosé nature Orus Pas Dosé (Adolfo Lona) e as cuvées especiais Casa Valduga Gran Nature 60 meses (2009) e Perini nº1 (2008).

Todos os exemplares foram servidos em taças para vinhos brancos, para destacar o lado aromático dos mesmos, e aos pares, evitando perda excessiva de temperatura durante a degustação e análise de cada um deles.

No primeiro embate, Excellence e Victoria Geisse se mostraram bastante típicos, com uma clara vantagem do segundo, graças ao menor teor de açúcar residual e uma complexidade aromática mais evidente.

No segundo par, coube ao Perini Nº1 a dura tarefa de enfrentar o champagne, uma escolha quase arbitrária, considerando apenas o fato de que ele era o mais amadurecido entre os espumantes nacionais. Apesar da expectativa de larga vantagem para o Agrapart, a escolha ficou bem dividida, demonstrando aquilo que eu pretendia inicialmente: causar incertezas suficientes para que os degustadores não tivessem certeza de quem era quem nas taças servidas.

Por fim, vieram o Orus Pas Dose, uma joia vinificada em rosé pelo enólogo Adolfo Lona, e o Casa Valduga Gran Nature 60 meses. Ambos encantaram à todos de imediato! E eu consegui o que desejava: desnortear e confundir os degustadores. A disputa foi muito acirrada, muitos preferiram o Orus, mas todos apostaram no Casa Valduga 60 meses como sendo o champagne (eles não sabiam disso ainda…).

Para permitir uma última reavaliação, completei as taças de todos os degustadores com uma dose mais gelada dos espumantes. Nada mudou, as impressões e apostas de todos se mantiveram no mesmo lugar… Reveladas as garrafas, eis o resultado:

1º lugar (por unanimidade): Casa Valduga Gran Nature 60 meses (80% Chardonnay e 20% Pinot Noir) – Preço: R$155 (safra 2011).

2º lugar: Adolfo Lona Orus Pas Dose Rosé (Chardonnay, Pinot Noir e Merlot, vinificado como rosé) – Preço: R$166 (600 garrafas lançadas).

3º lugar: Agrapart 7 Crus Brut (90% Chardonnay e 10% Pinot Noir) – Preço: indisponível no Brasil (cerca de US$50 no exterior).

4º lugar: Perini nº1 2008 (Chardonnay e Pinot Noir) – Preço: R$265 (600 garrafas lançadas).

5º lugar: Victoria Geisse Extra Brut Gran Reserva Vintage (75% Chardonnay e 25% Pinot Noir) – R$150 (distribuída pela Grand Cru).

6º lugar: Chandon Excellence Cuvée Prestige NV (Chardonnay e Pinot Noir) – R$130.

Confesso que o resultado foi bem próximo do que eu esperava (achei que o Perini Nº1 fosse de destacar mais), deixando nítido que nossos espumantes (pelos menos os melhores) podem fazer um excelente papel em qualquer mesa onde um rótulo de qualidade superior seja requisitado.

Espero que esse pequeno exemplo sirva para desmistificar o eventual preconceito que algumas pessoas ainda possam ter com nossos espumantes. Que eles possam elegê-los para celebrar as festas deste fim de ano ou para enfrentar a mais nova onda de calor que está por vir… Cheers!

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1 COMENTÁRIO

  • Evandro Anversa - 4 de janeiro de 2017 às 08:10

    Parabéns pelo desafio é para nossas vinícolas brasileiras que proporcionaram espumantes cada vez melhores.

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