Desafio de degustação: Quem é quem entre os Borgonhas 1er Cru da safra 2009?

  • Luiz Cola
  • 22/mar/2017
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Durante séculos os monges cistercienses desenvolveram o cultivo da vinha e selecionaram com precisão os melhores terrenos da Borgonha para elaboração de vinhos. No caso dos tintos, a casta “abençoada” por eles foi a temperamental e multidimensional Pinot Noir, capaz de se metamorfosear bastante, mesmo diante de pequenas variações no solo, na inclinação do terreno ou na altitude do vinhedo.

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Beaune Les Epenottes, Vosne-Romanée Les Beaux Monts, Pommard Les Pezerolles, Nuits St-Georges Clos de la Marechale, Gevrey-Chambertin Les Cazetiers e Chambolle-Musigny Les Charmes

Esse trabalho meticuloso e secular dos monges cistercienses resultou num dos mais intrincados e complexos sistemas de classificação de vinhedos do mundo, divididos em vinhos regionais, comunais (villages), premiers crus e grands crus. O objetivo principal dessas apelações de origem controlada (A.O.C.) é estabelecer o grau de tipicidade e qualidade de cada m2 (sem exageros…) dos vinhedos plantados em toda a Borgonha, em especial na Côte d’Or. Subdividida em Côte de Nuits e Côte de Beaune, ela concentra as melhores parcelas de vinhas de Pinot Noir e de Chardonnay da região, consequentemente da França (quiçá do mundo).

Essa pequena introdução sobre a configuração dos vinhos da Borgonha tem por objetivo, dimensionar o tamanho do desafio imposto aos membros da “Desconfraria”, uma das confrarias que participo: identificar “quem é quem” entre seis tintos de apelações distintas, de nível qualitativo Premier Cru (todos elaborados na excelente safra 2009), escolhidos entre os melhores climats presentes na Côte d’Or.

Contando com o auxílio de uma breve compilação sobre cada vinhedo e do estilo de vinificação de cada produtor, os 11 membros presentes na degustação encararam o desafio de determinar, sensorialmente, qual vinho representava a tipicidade de cada uma das apelações selecionadas (quatro da Côte de Nuits e dois da Côte de Beaune).

O resultado? Uma verdadeira lição de humildade diante dos vinhos da Borgonha. Depois de uma hora de análises, o nível de acertos foi decepcionante (mas não chegou a ser nenhuma surpresa…): quatro confrades erraram todos os vinhos! Dois obtiveram um acerto e os outros quatro (inclusive eu) se limitaram a atingir somente dois acertos (33% do total) em seis possíveis.

Apesar da evidente decepção de alguns participantes, creio que a experiência foi muito gratificante, demonstrando que o vinho é uma bebida complexa e estimulante, que desafia os nossos sentidos, é carregada de histórias e incorpora uma rica cultura por trás de sua concepção através dos tempos.

Santé!!!

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