Pesquisa capixaba encontra agrotóxicos em peixes, vegetais e vinhos!

  • Luiz Cola
  • 16/mar/2017
  • 8 Comentários

Uma pesquisa realizada no Espírito Santo com produtos de todo o Brasil e até do exterior mostrou a presença de agrotóxicos acima do permitido em vinhos e até mesmo em peixes. Segundo o estudo, coordenado pelo professor doutor Rodrigo Scherer, da UVV, cerca de 15% das amostras de vinhos coletadas e 5% das amostras de peixes estavam contaminadas.

Vinhos

Os pesquisadores analisaram mais de 150 rótulos de vinhos tintos do Uruguai, Argentina, Chile e Brasil, incluindo dois rótulos de vinhos de Santa Teresa no Espírito Santo. Mais de 15% das amostras de vinhos apresentaram presença de pelo menos um agrotóxico. Os principais produtos encontrados foram ditiocarbamatos, e o mais preocupante, elevados índices de azoxitrombina (913 µg/L), um fungicida de classificação toxicológica classe III (mediamente tóxico), que é utilizado no cultivo das uvas.

Vinhedo orgânico da vinícola chilena Emiliana
Vinhedo orgânico da vinícola chilena Emiliana

Ainda segundo o estudo, não existe limite de resíduos de agrotóxicos no vinho, apenas nas uvas. Neste caso, o limite é de 500 µg/kg. Importante ressaltar que os vinhos Brasileiros foram os mais contaminados, entretanto, os vinhos de Santa Teresa (Cantina Mattielo e Tabocas) não apresentaram nenhum resíduo de agrotóxico.

Peixes

O estudo analisou 80 amostras de tilápias coletadas nos principais polos produtores do Brasil. Os resultados mostraram que 5% das amostras apresentaram agrotóxico, com valores entre 100 e 240 µg/kg de piraclostrobina, que é um fungicida classificado como altamente tóxico pela OMS. “Apesar de 5% ser uma quantidade pequena, agrotóxicos Classe II de toxicidade são muito perigosos para saúde, e isso nos deixa preocupados”, escreveu o professor no relatório.

Vegetais

Além do peixe e do vinho, mais de 200 amostras de vegetais foram coletadas no CEASA-ES, incluindo morango, abobrinha, mamão, tomate, couve, pepino entre outras.

Em resumo, a pesquisa revelou que as amostras de couve, tomate e mamão apresentaram os resultados mais críticos. No mamão chegou a ser encontrado a presença de quatro agrotóxicos em uma mesma amostra. Para as amostras de tomate, foram encontrados dois agrotóxicos, um deles não autorizado e outro em quantidade 10 vezes maior que o permitido.

Na couve foi encontrado o agrotóxico profenofós em níveis exorbitantes, chegando a 3360 µg/kg. O profenofós, apesar de proibido para cultura da couve, é permitido em outras culturas como repolho, cujo valor máximo que poderia ser encontrado é de 50 µg/kg, ou seja, chegando a mais de 60 vezes a quantidade permitida.

O profenofós é um inseticida muito utilizado no controle de pragas, mas em altas concentrações, é tóxico também em seres humanos. Há relatos de que podem ser fatais em caso de intoxicação.

Fonte: Gazeta Online

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8 COMENTÁRIOS

  • Carlos Alberto - 16 de março de 2017 às 12:13

    Quais foram os vinhos contaminados com agrotóxicos?

    • Luiz Cola

      Luiz Cola - 17 de março de 2017 às 12:42

      Olá Carlos Alberto,
      Lamento, mas a pesquisa não divulgou os nomes dos rótulos analisados.
      Abs,
      Luiz Cola

      • Carlos Alberto - 19 de março de 2017 às 18:09

        Obrigado Lula. Uma pena que os pesquisadores não deram detalhes da pesquisa deles

        • Luiz Cola

          Luiz Cola - 19 de março de 2017 às 20:10

          Olá Carlos Alberto,
          creio que seja possível obter esses detalhes acessando a pesquisa feita na UVV. Se estiver publicada, certamente vai detalhar as amostras analisadas.
          Abs,
          Luiz Cola

  • Daniel Alinio Gasperazzo - 29 de março de 2017 às 08:09

    Infelizmente sem acesso aos dados, essa pesquisa tempouco valor para a sociedade.

  • Fabrício Spezatto - 5 de abril de 2017 às 09:20

    Olá Luiz Cola. A matéria é incoerente pois primeiro afirma “…mostrou a presença de agrotóxicos acima do permitido em vinhos…” e depois mais abaixo diz “Ainda segundo o estudo, não existe limite de resíduos de agrotóxicos no vinho, apenas nas uvas”. Se não existe nenhuma posição da Anvisa tratando sobre limites de resíduos de agrotóxicos em vinhos, não se pode afirmar que houve a presença destes acima do permitido. Parece coisa de maluco mas uva e vinho são duas coisas diferentes.

    • Luiz Cola

      Luiz Cola - 5 de abril de 2017 às 13:50

      Olá Fabrício,
      Entendo o que quer dizer, mas acho que a ênfase da matéria é apenas informar aos consumidores que foram encontrados resíduos de agrotóxicos em amostras de vinho.
      Apenas lendo a íntegra da pesquisa realizada pela Universidade de Vila Velha (UVV) é que poderíamos tirar maiores conclusões.
      Abs,
      Luiz Cola

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