Direto da Taça: Domaine de Villeneuve Chateauneuf du Pape “Les Vieilles Vignes” 2009!

  • Luiz Cola
  • 23/maio/2017
  • 1 Comentário

Elaborados majoritariamente com as castas Grenache, Syrah e Mourvèdre, os vigorosos e solares tintos do Rhône (região localizada no sudeste da França) são muito apreciados em todo o mundo, seja em suas versões básicas (Côtes du Rhône), seja através de seus vinhos mais opulentos e sofisticados das apelações de Hermitage e Côte-Rôtie (ao norte) e, da mais famosa de todas, Chateauneuf du Pape (ao sul).

A apelação de Chateauneuf du Pape deve boa parte de sua fama a um aspecto histórico pouco relacionado ao vinho: a transferência, no início do século XIV, da sede do papado católico de Roma para a Avignon (que durou apenas 67 anos). A cidade francesa, vizinha ao local onde os vinhedos da região eram assentados, deu origem ao nome do vinho “Castelo novo do Papa”, em tradução literal do francês.

A ligação histórica com os papas está tão impregnada no imaginário desses vinhos que, desde 1937, suas garrafas estampam no vidro os símbolos das chaves cruzadas e da tiara papal logo acima dos rótulos.

domaine-de-villeneuve-cdp-2009

Guardadas essas particularidades históricas, a fama de Chateauneuf du Pape se sustenta realmente é na grande qualidade de seus vinhos. Baseados num tripé composto pelas castas Grenache, Mourvèdre e Syrah, eles podem conter mais de uma dezena de castas em seu corte, exibindo um estilo bastante exuberante e vigoroso.

O Chateauneuf du Pape “Les Vieilles Vignes” do Domaine de Villeneuve segue a linha mestra da apelação (um blend constituído por 70% Grenache, 16% Mourvèdre, 8% Syrah, 4% Cinsault e mais 2% Clairette), mas conta com alguns trunfos adicionais que reforçam sua qualidade: utiliza em sua composição, 90% de vinhas bem velhas (entre 30 e 95 anos), cujo rendimento é a metade do padrão habitual na região (na faixa entre 20 a 25 hectolitros por hectare). Para melhorar as coisas, desde 1998 o cultivo das vinhas segue os preceitos da agricultura biodinâmica e sem uso de quaisquer defensivos contra pragas.

Outra maneira de obter um caráter elegante e diferenciado é pela forma como o vinho amadurece, prioritariamente em grandes tonéis (80%) de carvalho, deixando o percentual restante para ser maturado em barricas novas de carvalho francês. Esse processo mais “moderado” de amadurecimento gera um vinho mais fresco e harmônico que seus pares, mas sem deixar que ele perca a rica complexidade e o potencial de guarda, marcas  típicas dos grandes Chateauneufs du Pape.

Esse vinho que degustei alguns dias atrás era da safra 2009 (já esgotado por aqui), mas a versão 2014 ainda está disponível no Brasil através da importadora Delacroix por R$336. Um dos melhores exemplares à disposição por aqui em sua faixa de preço… Recomendo!

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1 COMENTÁRIO

  • Silas - 23 de maio de 2017 às 17:30

    Vinho, além de alegria, é cultura engarrafada!

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