Domaine de Montille safra 2008, uma degustação horizontal onde o terroir fez toda diferença!

  • Luiz Cola
  • 08/maio/2017
  • 2 Comentários

Entre os apreciadores de vinhos, sempre que se menciona a expressão francesa terroir, logo vem à cabeça as famosas apelações da Borgonha, onde esse conceito melhor se expressa na forma de vinhos incrivelmente distintos, mesmo quando elaborados com uma única casta, em áreas geográficas vizinhas ou por um mesmo produtor.

Se havia um produtor na Borgonha que representava e defendia o conceito de terroir como ninguém, esse era Hubert de Montille (falecido em 2014), enólogo que ficou mundialmente conhecido como um dos personagens centrais do documentário Mondovino (de Jonathan Nossiter). Atualmente, após a morte de Hubert, o domaine está sob os cuidados de seu filho Etienne, que mantém viva a mesma filosofia de valorização do terroir e da mínima intervenção nos vinhedos cultivados pelo domaine.

Para avaliar essas notórias e, muitas vezes, sutis diferenças de terroir, selecionei cinco rótulos elaborados pelo Domaine de Montille para realizar uma degustação horizontal da safra 2008. Todos os escolhidos foram produzidos a partir de vinhedos de Pinot Noir com qualidade Premier Cru e localizados dentro da Côte de Beaune: Beaune 1er Cru Les Grèves, Beaune 1er Cru Les Perrières, Volnay 1er Cru Les Brouillards, Volnay 1er Cru Les Champans e Pommard 1er Cru Les Pézerolles.

Colocados lado a lado, a percepção das diferenças entre eles ficou bastante nítida, ainda que elas possam ser muito sutis para paladares menos acostumados com vinhos assim. Apesar da variações entre os dois vinhos de Beaune (mais austeros) e de Volnay (mais frutados e fragrantes) serem bem evidentes, a distinção dentro de cada apelação chamou ainda mais a minha atenção.

Em Beaune, o Les Grèves mostrou maior estrutura tânica e notas minerais mais destacadas que o Les Perrières, que por sua vez se destacou-se pelas notas florais e um conjunto mais “pronto” para ser bebido. Entre os Volnays, o Les Champans apresentou maior energia e profundidade que o Les Brouillards, menos estruturado e pouco expressivo no paladar.

Por sua vez, o Pommard Les Pézerolles fez um papel de “fiel da balança” entre os vinhos de Beaune e Volnay. Ele aliou perfeitamente a estrutura e austeridade dos crus de Beaune com a “alegria” frutada dos crus de Volnay. Um vinho elegante e que promete evoluir muitos anos ainda.

Se a degustação tinha por objetivo perceber as nuances de cada um desses cinco terroirs e como eles foram valorizados por Hubert de Montille, posso dizer que ele foi plenamente alcançado. Degustar esses vinhos em conjunto realmente é a melhor forma de capturar a essência que cada parcela desses terrenos tem para oferecer. Um excelente aprendizado!

Os mapas abaixo demonstram com muita clareza a pouca distância entre os vinhedos dentro das comunas de Beaune e Volnay (algumas centenas de metros) e mesmo entre as três comunas, com Pommard situada entre as duas primeiras, separadas entre si por apenas uns poucos quilômetros.

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Beaune – Vinhedos Les Grèves e Les Perrières

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Beaune 1er Cru Les Grèves 2008
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Beaune 1er Cru Les Perrières 2008

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Volnay – Vinhedos En Champans e Les Brouillards

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Volnay 1er Cru Les Brouillards 2008
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Volnay 1er Cru Les Champans 2008

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Pommard – Vinhedo Les Pézerolles

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Pommard 1er Cru Les Pézerolles 2008

Os vinhos do Domaine de Montille são importados pela Mistral.

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2 COMENTÁRIOS

  • Jose Augusto - 10 de maio de 2017 às 15:05

    Belo artigo. A região da Borgonha é de fato muito complexa e encantadora.

    • Luiz Cola

      Luiz Cola - 11 de maio de 2017 às 00:26

      Olá José Augusto,
      Fico feliz que tenha apreciado o post.
      Espero que continue lendo os novos e antigos posts do blog.
      Abs,
      Luiz Cola

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