Château Lafite-Rothschild: Vertical de 1982 a 2002 revela a essência desse clássico de Pauillac!

  • Luiz Cola
  • 04/jul/2017
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Pelo últimos 150 anos, quando falamos dos grandes vinhos tintos do mundo, não podemos deixar de mencionar o aristocrático Château Lafite-Rothschild, um dos “cinco grandes da margem esquerda” de Bordeaux. considerado por muitos especialistas como o mais consistente dentre os Premier Cru Classé do Médoc.

Château Lafite-Rothschild 1990

Para atestar a grande qualidade desse robusto tinto da apelação de Pauillac, organizei uma degustação vertical com algumas das safras mais relevantes dos últimos 35 anos (1982, 1990, 1998, 2000 e 2002), onde duas delas obtiveram avaliações máximas (100 pontos) da crítica especializada.

A base de sustentação do Lafite-Rothschild é dada majoritariamente (60% ou mais) pela Cabernet Sauvignon, associada com a Merlot e, em menor escala, com a Cabernet Franc e a Petit Verdot. Esse “corte bordalês” amadurece em barricas novas de carvalho francês da melhor qualidade por um período médio de 18 a 20 meses antes de ser engarrafado.

A grande fama alcançada por esse vinho e seus pares do Médoc ao longo das décadas se deve ao fato de que, passados 15, 20 anos ou mais de cuidadosa guarda, esse clássico de Bordeaux oferece um alto nível de prazer e complexidade sensorial, capaz de conquistar de imediato seus felizardos degustadores.

Esse painel reúne vinhos que vão de 2002 (um jovem de apenas 15 anos de evolução) até um glorioso 1982, que do alto de seus 35 anos promete revelar todo o esplendor esperado por quem tem o privilégio de degustá-los. Vamos à prova dos vinhos para corroborar (ou não) essas grandes expectativas:

Château Lafite-Rothschild 1982 (RP100/WS94) – 65% CS, 29% Merlot e 6% Cabernet Franc:

A expectativa com essa garrafa era bem grande, afinal tratava-se de um grande bordeaux proveniente de uma das safras mais admiradas dos últimos 50 anos na região. Porém, a verdade na taça mostrou-se um pouco mais moderada, exibindo um vinho realmente bastante refinado, mas sem a grande complexidade que poderíamos esperar. O caráter aveludado e a persistência no final da boca foram os pontos altos desse vinho (ou pelo menos, dessa garrafa).

Château Lafite-Rothschild 1990 (RP96/WS95) – 57% CS, 30% Merlot e 13% Cabernet Franc:

Aqui as expectativas eram quase tão elevadas quanto no 1982, mas dessa vez elas foram amplamente superadas. Eis um Bordeaux digno de sua fama e degustado em seu provável apogeu (27 anos), com um equilíbrio perfeito entre a qualidade da fruta, os taninos bem polidos e adornados por um teor de acidez na medida exata. Complexo, profundo e cheio de camadas no paladar, esse 1990 mostrou seus atributos sem qualquer traço de timidez. O vinho da noite!

Château Lafite-Rothschild 1998 (RP98/WS95) – 81% CS e 19% Merlot:

Esse vinho parecia que iria fazer um papel coadjuvante nesse painel, mas para a (boa) surpresa de todos, exibiu-se lindamente perante seus pares. Mesmo estando relativamente jovem ainda, pareceu ser um dos vinhos mais “prontos” da degustação. O pedigree dos Lafite estava todo lá: fruta exuberante, taninos volumosos e dotado de grande suavidade e persistência na boca. Uma safra que merece atenção daqueles que desejam beber um grande Lafite sem pagar o “prêmio” das safras mais badaladas.

Château Lafite-Rothschild 2000 (RP98/WS100) – 93% CS e 7% Merlot:

Talvez tenha sido um grande “infanticídio” abrir essa garrafa com apenas 17 anos de evolução, mas foi por uma causa nobre e, de certo modo, didática. Ainda bem primário, prometendo alcançar seu melhor apenas daqui uns 20, 25 anos, esse 2000 explodiu em aromas de caixa de charuto (cedro), flores de violetas e notas de terra úmida. O característico traço aveludado associado à uma grande persistência estava lá mais uma vez, cheio de camadas e delicado frescor. Um grande vinho, mas para repousar sem pressa nas adegas.

Château Lafite-Rothschild 2002 (RP94/WS95) – 87% CS, 9,5% Merlot e 3,5% Cabernet Franc:

O candidato à “patinho feio” da degustação mostrou que ele também era um legítimo cisne do clã Rothschild. A safra mais modesta e a juventude não o deixaram deslocado diante de seus irmãos mais velhos. Puro, fresco e menos intenso que os demais, esse 2002 coube perfeitamente no timming de sua abertura. Um bordeaux clássico e delicioso de beber!

Ao fim de tudo, ficou-nos a certeza de termos usufruído de uma bela experiência vínica ao redor de um dos mais célebres vinhos da França. Santé!!!

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