Petrus e Cheval Blanc 1967: clássicos de Bordeaux que chegaram aos 50 anos em plena forma!

  • Luiz Cola
  • 22/ago/2017
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Exaltar a qualidade desses dois vinhos clássicos de Bordeaux é algo absolutamente redundante, afinal, o Petrus e o Cheval Blanc são alguns dos maiores expoentes do Pomerol e Saint-Emilion (as principais apelações da margem direita de Bordeaux). A questão aqui vai muito além, na verdade, exatos 50 anos através do tempo!

A secular fama dos tintos de Bordeaux foi construída sobre suas grandes qualidades olfativas e gustativas, mas sobretudo, graças a sua notória capacidade de envelhecer, ou melhor, evoluir e se tornar ainda melhor com a lenta passagem dos anos. Esse foi um dos aspectos que motivou a degustação desses míticos e raros “claretes”, mas o motivo “real” foi bem mais prosaico: celebrar, junto de um outro amigo, a nossa safra comum: 1967!

Petrus 1967: 95% Merlot e 5% Cabernet Franc

Para analisar e apreciar essa dupla de cinquentões, fizemos o possível para não sucumbir ao peso dos rótulos e nos abstrair ao máximo da dupla celebração de nosso meio século de vida. Degustados sem pressa, tanto o Petrus quanto o Cheval Blanc foram desnudando nas taças suas inúmeras camadas de aromas e sabores, umas mais diretas, outras mais tímidas e complexas.

Considerado uma das expressões mais sublime da casta Merlot, o Petrus mostrou de imediato seu caráter sedoso e opulento, mesmo passadas cinco décadas de sua elaboração. Algumas notas aromáticas de trufas, café e canela se sobressaíram das demais, que iam e voltavam ao capricho do contato com o ar. No paladar, a percepção predominante foi de um equilíbrio tênue de taninos macios e delicados com uma acidez discreta, mas suficiente para balanceá-lo.

O peso e a persistência na boca me impressionaram muito, especialmente se considerarmos sua longa trajetória até aqui e ao fato de que a qualidade da safra não foi lá essas maravilhas naquele ano. Um vinho inesquecível pela longevidade, pela aura que carrega e pelo momento especial!

Cheval Blanc 1967: 57% Cabernet Franc, 39% Merlot, 3% Cabernet Sauvignon e 1% Malbec

Apesar de estar situado na fronteira com o Pomerol, o Château Cheval Blanc carrega a estirpe de produzir um dos mais refinados vinhos baseados na Cabernet Franc de Saint-Emilion (e por consequência, do mundo), ainda que apenas a metade do vinhedo seja dessa casta nos dias de hoje (o restante contém 47% de merlot e 4% de Cabernet Sauvignon).

Se o Petrus se notabilizou pelo vigor dos taninos, a intensidade de aromas terrosos e o frescor foram os elementos de destaque no Cheval Blanc. Mesmo estando mais ligeiro e curto no paladar do que eu desejasse, ele foi capaz de oferecer bastante prazer em sua degustação e acompanhou muito bem um suculento Tournedor Rossini (com Foie Gras).

A meu ver, para um vinho cujas expectativas oferecidas pela crítica não eram das melhores, esse “Cavalo Branco” cumpriu muito bem o seu papel, como se ainda estivesse conduzido por Napoleão Bonaparte em suas conquistas pela Europa. Um ótima experiência, mais emocional e sensorial, do que racional e cartesiana. Ao lado do Petrus, esse Cheval Blanc demonstrou que, às vezes, o todo é maior que as partes… Santé!!!

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