Painel de Degustação: Uma fantástica Vertical de Barolos de Aldo Conterno 1990-1999!

  • Luiz Cola
  • 03/nov/2017
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Retornando após algum tempo, a seção “Painel de Degustação” traz uma esplêndida prova de Barolos de um dos produtores mais renomados (e um de meus preferidos) dessa DOCG: Aldo Conterno! Foram degustados cinco vinhos provenientes dos vinhedos Colonnello e Cicala produzidos nos anos 1990, cuja evolução na garrafa já alcançou um ponto adequado para que se possa absorver toda complexidade e nuances que eles possam oferecer.

O Poderi Aldo Conterno produz cinco versões de Barolos em Bussia (Monforte d’Alba): um Barolo de “entrada”, com uvas de vários vinhedos espalhados na localidade de Bussia, três Barolos de “vinhedo” (Romirasco, Colonnello e Cicala) e o “Riserva” Granbussia, elaborado apenas em anos excepcionais, com uma mescla de seus três vinhedos principais.

Esse painel de degustação, dividido em duas partes, analisou primeiro uma mini-vertical de três excelentes safras de Barolo Colonnello (1996, 1997 e 1998), em busca de identificar o estágio de evolução de cada um deles e as pequenas variações que pudessem demonstrar. Na sequência, veio um par de Barolos Cicala (1990 e 1999), cujo intervalo maior entre as safras ofereceu uma visão mais abrangente da evolução desse vinho.

Aldo Conterno Barolo Colonnello 1996

Todas as garrafas foram decantadas e aeradas durante aproximadamente uma hora antes do serviço dos vinhos. Devido ao longo tempo de amadurecimento nos botti de madeira, a quantidade de sedimentos nas garrafas estava bem reduzida (salvo no Colonnello 1996, com grandes placas aglutinadas de borra) e praticamente todo o volume das garrafas pode ser aproveitado.

Graças à aeração prévia, os Colonnellos se mostraram bastante pujantes desde o início da degustação. Notas de típicas de funghi, alcatrão, café torrado e frutas vermelhas secas se destacaram de imediato. Ainda que no aspecto intensidade, os três estivessem equivalentes, no quesito persistência, o 1997 foi o que mais se destacou.

Aldo Conterno Barolo Colonnello 1997

No paladar, o perfeito equilíbrio entre taninos, acidez e álcool nas três safras, deixou claro a importância de termos paciência e proporcionarmos a esses vinhos, o tempo de guarda necessário à sua completa evolução e aprimoramento. Vale citar aqui um Barolo 2004 do Pio Cesare provado na sequência dessa degustação: bebido logo após essa série, ele nos pareceu muito mais tânico e “verde” do que teríamos notado se tivesse sido provado isoladamente.

Aldo Conterno Barolo Colonnello 1998

No cômputo geral das três safras de Colonnello, a avaliação do grupo colocou o 1997 com uma pequena vantagem sobre o 1996 (a melhor safra), deixando o 1998 um pouco para trás (sem que isso signifique que ele não estava no mesmo patamar qualitativo deles).

Aldo Conterno Barolo Cicala 1999

Passando para os Cicalas, o 1999 precisou de um pouco mais de tempo para se revelar. Alguns degustadores chegaram a comparar seus aromas com os de um Porto Vintage, talvez por conta dos aromas de ameixas secas e chocolate amargo que ele liberou nos primeiros minutos na taça. Esses aromas se dissiparam com o tempo e as notas de tabaco e alcatrão voltaram a ocupar seu espaço. Na boca, exibiu um paladar mais moderno que os anteriores, possivelmente uma decorrência do uso mais pronunciado de madeira nova no afinamento do vinho.

Aldo Conterno Barolo Cicala 1990

Por outro lado, o Cicala 1990 deixou claro de imediato que estávamos diante de um vinho grandioso, digno de ser bebido com toda a atenção possível.  Seus aromas intensos de flores secas (as famosas rosas), alcatrão e defumado nos encantaram de imediato. Eles nos levaram para um caldo muito estruturado e complexo, com tudo no devido lugar e na medida desejada. Um vinho que poderia ser sorvido por horas, sempre despertando a atenção de nossos paladares. Sublime!

Fazendo um resumo dessa “ópera” piemontesa, é como digo para alguns amigos que sempre fazem ressalvas aos Barolos: diante de garrafas de um produtor que sabe trabalhar suas uvas e extrair o melhor de seu terroir, sempre poderemos esperar um grande prazer sensorial ao degustar esses vinhos.

Como dizem os italianos (talvez com um pouco de exagero, típico deles): o Barolo é um “Vinho de Reis, um Rei dos Vinhos”!

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