idade das trevas high-tech

  • Lúcio Manga
  • 09/mar/2014
  • 0 Comentários

 

ps. leia o texto ouvindo não deixe o samba morrer, com alcione… acesse, vai: http://www.youtube.com/watch?v=s5SgOY9I6Do#aid=P8EdACXkw-g

 

são muitas pegadas dilaceradas pelo tempo… há uma vergonha mutiladora por dentro… e sinto constrangimento quando assisto a, por exemplo do meu agora, 12 anos de escravidão… o que dizer?

por aqui neste espaço escrevi preto, um texto grito de alerta para dentro da hipocrisia social de esconder o modo como encara socialmente o negro… um esporro em quem insiste em defender que não há mais o mesmo olhar dos tempos da escravidão… ora, francamente!

cutucando foucault com a vara curta, reli a microfísica do poder mais atento do que da última vez que o li… aliás, o meu pf de leitura, microfísica, a modernidade líquida e a concepção dialética da história, lidos, foucault, bauman e gramsci, no mesmo compasso, provoca reações interessantes no raciocínio e sacrifica ainda mais o olhar…

por que não se estuda história do jeito adequado? por que não se abre o jogo sobre o comportamento de humano, esse demasiado? não é evidente que a transformação precisa acontecer dentro da cabeça da juventude?

compreender o rumo de todas as coisas exige uma entrega à reflexão… uma atitude de indivíduo sujeito… a ideia, fica esse lugar-comum, é desconstruir qualquer possibilidade de se construir sujeitos dentro da história, de modo que, se na idade média os leprosos eram afastados dos muros da cidade e andavam com um sino (sino cristão, diga-se de passagem) a anunciar a mutilação…no hoje, nessa idade das trevas high-tech, um complexo sistema de leprosos metafóricos banidos do convívio ilustram uma cultura mesquinha de se apedrejar a pobreza… o que explica a periferia e todo o abandono… sim, porque é a miséria social que se submete ao não ter…

não ter na sociedade que anuncia escancaradamente queira! queira! queira! queira! queira!… é uma penitência fomentadora do desespero… e é nesse desespero que humanos, esses demasiados, constroem o flagelo… a exclusão.

e não há como negar que há uma contribuição coletiva… um contágio que se alastra geração após geração, ao ponto de se questionar qualquer apontamento de melhora… não se quer melhorar nada… sejamos francos…

e é bom que se pense nessas questões justamente após o… no agorinha…  carnaval… o samba leva o lamento do morro… clama até… “não deixe samba morrer…”… e fantasiados pelo êxtase, mascara-se a realidade com diversão…

o ópio na dose certa, injetada no contrapé do cidadão que, acobertado pela folia, reina entorpecido na avenida… e não digo isso porque que não quero o carnaval… não… o que não quero é a enganação… a enganação de si mesmo… isso é o pior…

como brinquei o carnaval no centro de vitória, imaginei um telão a apresentar 12 anos de escravidão… explico: a maioria que ali estava, e me incluo de corpo e alma nessa condição, toma a chibatada… pouquíssimos manejam o chicote… haveria catarse?

o retrato da realidade não é compatível com instagran… as cores da realidade desbotam a alegria dos camarotes… quem serve os docinhos nas áreas vips não se diverte… esse é o cinema nacional… bonitinho, mas ordinário…

a festa nunca é pra todos, sei bem disso, mas o que insisto é no modo como a diversão ilustra decisivamente o descaso… você que me lê empurra o carro alegórico ou é destaque? o papo aqui é por essas linhas…

eu quero o constrangimento… sambar e lançar a latinha ao chão porque há uma miséria para coletá-la… tudo misturado pelo liquidificador da realidade… mundo cão… sempre foi urgente relacionar esse constrangimento como estado de espírito de porco… não se pode simplesmente conviver com todo esse desamparo e botar o bloco na rua…

há muitas culpas nas pegadas que marcaram o rumo da história… não há quem se safe da acusação… logo, não houve aprendizado, não houve ensinamento… a idade média marcha dentro de cada demasiado humano… sem exceção… ( [email protected] )

Publicidade

0 COMENTÁRIOS

DEIXE AQUI SEU COMENTÁRIO