bundas

  • Lúcio Manga
  • 06/set/2014
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ps. leia a coluna de hoje ouvindo pagu com rita, a maria.  acesse aí, vai: http://www.youtube.com/watch?v=5BWzspmmYFc

 

as sem-bunda que me desculpem mas bunda é fundamental…

o brasil é o país em que as bundas estão expostas, porque fartas e generosas… a bunda brasileira acentua a contemplação porque, rebolativa, envolve no balançar mais que desejo… envolve o culto… a bunda por essas bandas é algo mitológico…

a bunda brasileira é a paisagem que não se curva ao terra à vista… o descobrimento da sensação de que há, na curva de dois sorrisos no topo das pernas, a consequência do perder o rumo ou até mesmo do deixar pra lá o que se fazia para admirar a cadência com que rompe o ir… a bunda está dentro do ir… tanto é que, se na surpresa da anca larga, vista panorâmica de frente, gerar-se a dúvida, uma simples espiada já é capaz de determinar se a olhada será prolongada ou se gerará indignação interna… aqui em goiabeira a gente chamava de surpresa…

o papo, embora pareça machismão tolo, não é mocinhas… longe disso… aqui é um desejo determinado, condicionado pela generosidade do que a vida me ofertou… nas mulheres que amei e beijei, só pra contrariar o poeta… claro que não beijei inúmeras que passaram e ainda passam rebolativamente por aí…

mas o lance da bunda que se coloca em discussão por hoje são as que estampam os anúncios na subida da terceira ponte sentido vila velha – vitória…

há uma guerra de bundas por ali e, quando há guerra, aparece sempre a moral e os bons costumes, sempre essa gente, para determinar que tipo de bunda pode ou não pode… aí, nascem polêmicas interessantes para uma reflexão despretensiosa… afinal, em todo sábado pela manhã, quem não é despretensão pura?

meu embate teve início quando gerou polêmica – esse lance de polêmica é de um papo furadíssimo, mas vamos lá – o outdoor da mocinha que, bunda empinada na foto, anunciava seus serviços sexuais… corajosa, a mocinha resolveu mostrar a cara, mas quem ganhou destaque foi a bunda… mais até que o produto anunciado… eis, então, que vem a moral e os bons costumes e questiona a tal da imoralidade da foto… foi o que li por aí… logo, o lance do corpo à venda era apenas um detalhe, mas um detalhe que ajudava a sacramentar a sentença… fogueira na moça… é que essas coisas sexuais só valem por debaixo dos panos…

hoje, ao menos no momento em que escrevo essas linhas, há três bundas significativas no trajeto em questão: uma anunciando site de acompanhantes, outra prometendo esteticamente a bunda perfeita e ela, a mocinha corajosa, agora em pose de propaganda de biquíni, a disputar a olhada rápida…

vejam aí a minha reflexão…

a bunda 1, a do site de acompanhantes, usa a bunda como isca… a bunda 2, a da clínica de estética, usa a bunda como isca, a bunda 3, já celebridade, usa a bunda como isca… a questão que se constrói é a seguinte: por que ninguém questiona a bunda exposta generosamente na propaganda da clínica de estética?

o preconceito bundístico nitidamente evidencia que a bunda com sentido clínico representa aquele papo do “é por uma boa causa”… não vejo assim…

se uma bunda ousada é lançada na fogueira das vaidades porque é considerada imoral… qualquer anúncio que use a bunda como isca deveria receber a mesma sentença… correto?

bem, no direito instituído socialmente, não é bem assim… a bunda clínica tem licença técnica… a mesma concedida as bundas dos anúncios de calcinha e de biquíni… a lei é injusta até quando as evidencias criminais são as mesmas…

de minha parte, sou a favor de que todas as bundas sejam livres… mas se for para lançar na fogueira uma dessas bundas… certamente lançaria a da clínica de estética…

é que me incomoda mais o lance da perversa ideia que inicia esse texto e que condiciona as mocinhas à escravidão do corpo… a bunda estética prostitui a alma de todas as mulheres porque interfere na naturalidade…

a bunda da clínica de estética é como aquelas plantas de plástico que não trocam as folhas, não exigem água e não tem cheiro de algo vivo… a bunda de plástico é mais imoral que qualquer bunda que sirva de isca, porque fisga o ingênuo querer…

 

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