a guerrilheira, o prayboy e a evangélica

  • Lúcio Manga
  • 06/set/2014
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ps. leia a coluna de hoje ouvindo tim maia in concert com maia, o tim.  acesse aí, vai: http://www.youtube.com/watch?v=JCKdzOHhzFU

 

a guerrilheira – tinha uma pedra no meio do caminho e não havia poesia… o resultado inexato das probabilidades… a novela das oito reality show, ali, na queda do avião da fatalidade que muda o rumo dos que preveem o futuro… o país só é solidário no câncer… na morte… a morte odete roitman… na expectativa a romper-se de por entre o trono desgastado pelos erros de não ter deixado de lado o querer não ser do mesmo modo que o mesmo rosto estampado a pedradas na oposição de outrora… a estrela solitária corroída pelo detalhe humano do querer as entranhas do poder… o tropeço na pedra bem diante do abismo do verso… lá se vão as rimas pelas quebradas dos versos livres… o que será que há dentro da gente que não é capaz de querer apenas o suficiente? um país tão desigual exige apenas a sensibilidade de ofertar a possibilidade, a chance… mas escorre por entre os dedos uma história… o que terá passado pela cabeça da guerrilheira, só na dela, pelo instante em que se é possível ficar a sós, no banheiro antes de arriar a roupa para se aliviar, e, só, conversar sobre a queda do avião?

o prayboy – a teoria do medalhão de si mesmo, entrecortada no sobrenome do avô que fora engolido pela história… da tradição ingrata de uma sociedade sempre em frangalhos a ver passar adesivados os inúmeros carros das pessoas que são do andar de cima… certos, sempre certos, os que se esbaldam no poder serem eternamente os devoradores de todas as fatias do bolo… um mundo a parte dentro dos automóveis não populares, embora desejadíssimos por quem quer que passe… o adesivo do prayboy a marcar a própria pele do torcedor da copa… sentado comportadamente até na hora do gol… o voto certo de quem só tem sempre a ganhar… o prayboy do filme da lisbela e o prisioneiro… a mesma cara de quem não seria capaz de amar verdadeiramente qualquer mulher… o covardão escondido pela fala dos que estão sempre atrás de muitos outros que com muitos outros machões, garantem, vão prender os menores infratores antes discutir, no papo reto, a tal da desigualdade social… perdeu, praybloy!!!… o que terá passado pela cabeça do prayboy, só na dele, pelo instante em que se é possível ficar a sós, no banheiro antes de arriar a roupa para se aliviar, e, só, conversar sobre a queda do avião?

a evangélica – na última ceia… o destino travestiu-se de judas e protagonizou o beijo histórico… beijo na face é pra traidores, delegará o tempo de todas as horas… destino veio do céu com cara de milagre, um prato cheio para deus colocar o bloco na rua… as trombetas anunciam que algo poderá acontecer a qualquer momento… messianicamente colocado ao lado dos incertos dos indecisos dos que iriam passar em branco… a avalanche “deus é dez” conduzida pelo expresso certeiro… dentro da festa do santo rei… a fé cega a acalentar a multidão de aflitos… a maria calejada pelos seringais… o rosto visivelmente marcado pela história do brasil, sempre ela, a história, a pegar de surpresa os que preferem os filmes sessão da tarde… a evangélica é marcelino pão e vinho… na crueza do olhar e do sorriso… constrangidamente coberta pela manta das roupas feitas para outro tipo de pessoa… a roupa diz sempre quem não se é… a piscada da vontade de quem quer lançar um palavrão e de quem responde na ironia sem ironia… tragicamente há um desenho feito à mão… traçado apertado pela vontade e pela opressão de quem já comeu o pão que o diabo amassou… está lá na cara da moça com a chance dentro das mãos apertadamente garantida e com a bíblia decididamente embaixo do braço… união civil não é casamento, casamento não é união civil… amar a deus sobre todas as coisas é de uma ironia compulsiva… o que terá passado pela cabeça da evangélica, só na dela, pelo instante em que se é possível ficar a sós, no banheiro antes de arriar a roupa para se aliviar, e, só, conversar sobre a queda do avião?

o país – quem é capaz de saber o que é política e o que representa na vida da coletividade? todo povo tem o horário eleitoral que merece… ali, na piada anunciada da promessa feita, estão quase todos os brasis… o autorretrato abstrato da incapacidade de formar jovens que possam querer compreender o que acontece, quando a ignorância, incapacitada de pensar, dá as cartas do jogo… um país precisa de discussão… uma vida livre só é possível com as pessoas capazes de debater sem impor, sem veículos de comunicação que insistem em não dizer a verdade… a verdade está em muitos livros e em muitos fatos relatados… mas é preciso ler… não formar uma sociedade leitora é o maior crime que as escolas cometem contra o país… o que terá passado pela cabeça do poeta, só na dele, pelo instante em que se é possível ficar a sós, no banheiro antes de arriar a roupa para se aliviar, e, só, criar um verso sobre a queda do avião?

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