toda essa gente se engana ou não vê que eu nasci pra ser o superbacana?

  • Lúcio Manga
  • 25/out/2015
  • 5 Comentários

leia a coluna de hoje ouvindo superbacana, com elis e miele acesse aí, vai:

https://www.youtube.com/watch?v=fqvJAj8WTkE

 

de geração em geração há um desgaste imaginário do inconsciente coletivo.

o mundo dá envoltas e sempre possibilita lançar agouros à possibilidade de qualquer felicidade que queira estar disposta a aparecer na nossa frente…

porque felicidade é a droga injetada nas mensagens distribuídas pelos quatro cantos da divulgação eterna.

a ideia é fazer você acreditar nas possibilidades escondidas na cartola do destino… de onde saem coelhos cinzas, como se fossem a eterna necessidade de cada dia que sempre abre as pernas para o hoje…

o medo das horas faz com que as pessoas se contentem em fazer parte da propaganda de margarina…

um medo tão medroso que faz com que se diga na alegria e na tristeza como se fosse efeito de um carma…

ou de uma cruz tão pesada quanto a de tisto, o menino do dedo verde… como se amar não existisse na dor…

o mundo dentro das latas de toddy… ainda que haja um ar de descrença a insistir em se curvar dentro da necessidade alheia… quantas pessoas não querem ser outra vida?

e é diante desse apocalipse das almas que nasce a vontade de ser maior que o mundo…

a figuração do deus na barriga que quer por que quer impor um único olhar como se todos os olhos fossem da mesma cor.

há uma inquisição em cada esquina a amaldiçoar a liberdade de expressão do corpo e da alma, pois, embora haja o free cigarro, não há quem seja capaz de consumir-se sem querer nada de si em troca…

muitas pessoas se transformam no telemarketing pessoal… e constroem mensagem para resgatar a solidão…

felicidade em prestações suaves de melancolia…

despiste comigo:

eu sou incapaz!

a corrida atrás do ouro dos tolos azedos bárbaros… como nos filmes sem sufoco… filmes precisam construir o sufoco em quem ainda não tem a expectativa da dor…

não a dor alheia, mas a dor de parecer algo diferente de si mesmo…

os cretinos sempre tocam sinos…

badalam as horas santas como se se pudesse dizer a que horas se pode estar querendo mais do que apenas um café amargurado sem o pão de cada dia…

não há nada pior do que os discursos dos bem-aventurados…

a cretinice de quem se coloca a disposição de parecer politicamente correto…

devemos ignorar quem quer ser politicamente correto…

e devemos não dar bola para os que dão tapinhas nas costas como o cumprimento de uma saga de cortejos fúnebres.

a essência de quem está no lugar certo na hora incerta deve ser desconsiderado, ou não se deve querer calar a dor quando os analgésicos insistem em fazer pouco efeito?

tudo é uma mentira deslavada em máquina de lavar brastemp…

tudo é brastemp… os inimigos duradouros, esses sim valem a pena…

os que brigaram na infância e continuaram a ojerizar qualquer relação com a pessoa com quem se conflitou as horas de antes da fase adulta…

só nesses dá pra confiar.

o que querem as pessoas que chupam picolé como se nada estivesse acontecendo?

querem sentir o desgosto? querem o sabor?

nada pode parecer mais repugnante do que a soberba que invade o ego de quem é capaz de pagar pra ser…

as aparências engasgam e há um rompante de tosse a arranhar a garganta mais profunda…

como a mocinha do filme de sacanagem que devora pênis como se devorasse um pão de sal da padaria do prazer…

o mundo imaginário conserva poucas chances para que se possa querer sentido em algo que se produza… tudo que se coloca em destaque vira exposição…

mas não arte.

há uma beleza que se concentra por dentro da pele fria.

nas madrugadas desmerecidas e acordadas pelo silêncio de uma relação dois em um… quem pode amar como se fosse um toca-discos antigo? o som precisa sempre de uma novidade…

a moeda número 1 do tio patinhas não é minha…

e nem sei se há quem possa construir uma fortuna, porque não se nasce pra ser o superbacana…

nem nas histórias em quadrinhos com as suas fantasias do final justo.

se pular de um prédio e abrir um guarda-chuva tem efeito?

toda essa gente sempre me engana… sempre…

 

([email protected])

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5 COMENTÁRIOS

  • Janaina Dezan - 25 de outubro de 2015 às 14:17

    “nada pode parecer mais repugnante do que a soberba que invade o ego de quem é capaz de pagar pra ser…”
    Muito bom. Da consoante primeira às reticências (que afligem!).

    • Lúcio Manga - 26 de outubro de 2015 às 10:27

      vindo de você, janaina, que manja das palavras que tocam, fico sem uma palavrinha… beijão

  • miriam - 25 de outubro de 2015 às 17:49

    Tal como você , pelas palavras certas em expressar os sentimentos de muitos ,só o nosso Carlinhos de Oliveira.

    • Lúcio Manga - 26 de outubro de 2015 às 10:26

      poxa miriam, valeu, mas carlinhos de oliveira é um mito… bom que venha me ler…

  • Gabriel Amorim - 16 de novembro de 2015 às 17:48

    grande, professor
    orgulho de ter
    como lecionador.
    sábias palavras…!

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