você rosnaria os seus caninos para uma mulher?

  • Lúcio Manga
  • 26/out/2015
  • 4 Comentários

leia a coluna de hoje ouvindo independente futebol clube, com ultraje a rigor acesse aí, vai:

http://www.youtube.com/watch?v=VOSKFMS0w7s
ficou chato demais falar sobre qualquer coisa…

há uma banalização das causas com recheios blábláblá.

a coisa está tão complicada que há uma senha para que se possa cansar de discordar ou concordar… de ou com alguma causa.

senha daquelas que se destaca na entrada de qualquer início de qualquer espera… há, dizem por aí, senhas para o sofrimento…

daí essa alegria condescendente… amarela de tão desgastada pelo rosto fantasiado de sensação de que tudo dará incerto.

é a guerra das certezas, dentro do picadeiro imaginário, lá no circo da infância perdida… pronto para entrar em cena o atirador de facas e sua precisão do erro…

ainda mais após goles substanciosos do destilado amigo de todas as horas… o nosso amigo daniels, o jack… basta ver o trocar de passos de nosso herói sem nenhum caracteres para perceber que o suor que escorre ao centro do olhar de anne-marie, a brigitte bardot, eterna musa que gira na roda do desejo das facas que nunca conseguem sequer um arranhão…

um corte… nada que evidencie marcas.

é a sensação o que mais deixa o atirador de facas inconstante…

antes do ato que está por começar, discutia com anne-marie, a brigitte bardot, sobre o mundo, naquela sua incansável filosofia de trailer de circo…

ali onde se assam carnes alheias, onde o palhaço fica aos beijos com a mulher do trapezista, enquanto espera que ela não salte nunca.

reclamava das necessidades por não dar bola pra liberdade… sempre acreditou que ser livre era questão de abrir o portão e não levar bandeira ao estádio…

sentar na contramão da geral e jamais… jamais comemorar gol… a solidão da invisibilidade garante não ser vítima de qualquer papo furado… é melhor que brigadeiro da senhora negra da ilha de boipeba.

denunciava os equívocos de se querer pôr na cruz a caretice, porque entendia que discutir com o estado legal a necessidade de fazer parte era querer fazer parte da grande miséria dos demasiados humanos… mas, vai entender o ego?

o atirador de facas tinha um amigo gay… mas não percebia. simplesmente porque não reparava rotulação…

era sempre pau pra toda obra, o domador de leões… jaula aberta, o leão na cova dos machões nunca rugiu quando ali estavam os dois, ele e o seu amor, o engolidor de facas, a se beijarem…

porque era tão natural… era de uma cumplicidade dessas de retirar a lona e seguir em frente até a próxima periferia da alma… ao menos ali, não se lutava por nada, justamente, por não haver quem fosse capaz de questionar qualquer tipo de comportamento.

o atirador de facas tinha um amigo evangélico… mas nem percebia, porque como se pode não ver… deus não existe… era o mágico que, na hora do picadeiro, não revelava os truques e fazia sair de sua cartola dois coelhos numa varinhada de condão só…

sempre ilusionista, tinha o dom da palavra… narrava os medos da plateia que, perdida em pensamentos e pedimentos, não percebia que havia sempre um fundo falso…

o atirador de facas tinha uma amiga inseparável… anne-marie, a brigitte bardot, sua eterna musa assistente, que, de tão desejada, nem percebia a profana beleza e desnudava-se com roupas transparentes…

sexualidade pura, nunca invadida por mãos bobas ou por força de expressão… era livre, linda, leve e solta… como se deve ser a beleza e o gozo.

no circo da periferia da alma não havia tempo para querer pelos outros, nada ali era imposto, pois não havia um dono de circo…

tudo era de todos que ali estavam… era a socialização dos conceitos mais simples… de se emprestar escova de dentes tamanho o desprendimento…

certa vez, numa dessas cidades em que tudo se movimenta ao som das violências todas que se possa imaginar existir… o domador de leões foi impedido de domar o leão…

alegaram maus tratos com o animal… logo ele… incapaz de fazer mal ao próprio objeto de desejo, ficou atrás das cortinas por assim quererem os sujeitos indeterminados e as suas bandeiras… (cansei e pulei fora… entrei na realidade, leitor).

A prova do enem trouxe ontem a realidade do brasil… um país em que homens ainda violentam violentamente mulheres… realidade pura… aí, querem tratar a questão levantada pela prova com viés político… fica aí a dica de Nietzsche…

 

“a pressuposição de todo crente de qualquer tendência era não poder ser refutado; se os contra-argumentos se mostrassem muito fortes, sempre lhe restava ainda a possibilidade de difamar a razão e até mesmo levantar o credo quia absurdum est [creio porque é absurdo] como bandeira do extremado fanatismo. não foi o conflito de opiniões que tornou a história tão violenta, mas o conflito da fé nas opiniões, ou seja, das convicções. se todos aqueles que tiveram em conta a sua convicção, que lhe fizeram sacrifícios de toda não pouparam honra, corpo e vida para servi-la, tivessem dedicado apenas metade de sua energia a investigar com que direito se apegavam a esta ou àquela convicção, por que caminho tinham a ela chegado: como se mostraria pacífica a história da humanidade! quanto mais conhecimento não haveria! todas as cruéis cenas, na perseguição aos hereges de toda espécie, nos teriam sido poupadas por duas razões: primeiro, porque os inquisidores teriam inquirido antes de tudo dentro de si mesmos superando a pretensão de defender a verdade absoluta; porque os próprios hereges não teriam demonstrado maior interesse por teses tão mal fundamentadas como as dos sectários e “ortodoxos” religiosos, após tê-las examinado. lá em “humano, demasiado humano“.

 

([email protected])

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4 COMENTÁRIOS

  • Ramiro Conceição - 5 de novembro de 2015 às 07:36

    Nesse tempo de machos rinocerontes – bípedes – , talvez valha a leitura:
    http://www.anpuhpb.org/anais_xiii_eeph/textos/ST%2008%20-%20Juliana%20Rodrigues%20de%20Lima%20Lucena%20TC.PDF

  • Ramiro Conceição - 5 de novembro de 2015 às 17:39

    Não se nasce ser humano, torna-se “ser-humano”… (assim mesmo, revisor, com hífen), pois estamos a tratar aqui de um complexo substantivo composto, ainda desconhecido…

    DESTINO DAS GENTES
    by Ramiro Conceição

    Após o nosso amar, naquela noite,
    dormimos… Porém sei lá por que
    acordei na madrugada comovido;
    e, sei lá por que daquela vez, rezei
    ao bendito destino… das gentes.

    MOLLY BLOOM & PROMETEU
    by Ramiro Conceição

    sim sou uma mistura de rancor e candura que levanta
    a cada dia diante do sol sim um agregado de vingança
    e perdão sim um rascunho capaz de gerar dos rabiscos
    riscos de desenhos amorosos sim sou um cisne cínico
    a debochar do cotidiano que não desabrocha sim sou
    um paradoxo um prometeu acorrentado
    a buscar o desconhecido “ser – humano”

    • Ramiro Conceição - 5 de novembro de 2015 às 18:06

      Lúcio, perdoe-me… Esqueci-me das particularidades de formatação de seu blog… Espero que não tenha ocorrido qualquer confusão (sim, basta aquela, tão corriqueira do nosso tempo). Grato.

  • Ramiro Conceição - 5 de novembro de 2015 às 21:45

    CRIADOURO
    by Ramiro Conceição
    *
    *
    Perplexo,
    vi o Sol nascer… E tive uma certeza
    da transitoriedade de tudo. Como é
    possível, não sendo donos de nada,
    que pouquíssimos, machos!, sejam
    transitoriamente donos do mundo?
    Sem dúvida,
    tal boçalidade é possível somente via
    o criadouro de bilhões de estúpidos
    oriundos paulatinamente de séculos.

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