raiva

  • Lúcio Manga
  • 12/mar/2017
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leia a coluna de hoje ouvindo filantrópico, com os titãs. acesse aí, vai: 

https://www.youtube.com/watch?v=hXCaqRsvVRQ

preso dentro do instante, na casa pontilhada pela minha infância. aprendi a andar na rua de forma livre, sem medo, sem nada que pudesse me abalar… mas tropecei na miséria da realidade… ralei os olhos

a realidade não é cristã e fraterna, como querem os que creem, nem foi construída pela necessidade do todo, ou de todos… mas ao custo da incapacidade de percepção do outro… um custo alto, diga-se de passagem, porque sempre houve, no percurso histórico, a matança do humano…

o outro sempre fora um sujeito deposto, arruinado pela calamidade pública de fazer parte do lado b, do lado oprimido pela condição imposta pelo simples fato de vir ao mundo… o mundo nunca fora receptivo… e parece que há uma acentuação dessa descartabilidade porque a luta por direitos está acentuada… o que significa que ainda se vivencia o medieval, o homem desprimitivo que, com a vestimenta costurada por civilizado, é violento nas ações.

a história não deixa qualquer lapso de dúvida embora deixe dívidas… daí a desesperança, afinal, basta lançar um olhar em direção à realidade para se ter certeza de que tudo não passa de uma grande farsa moral…

de qualquer forma, pode-se pensar na raiva como algo interno (o eterno conflito) e acreditar que se pode domá-la como se doma um animal selvagem… domadores devorados sabem que há sempre algo a temer… a fera espera pelo tropeço… daí a insistência em usar mecanismos opressores do instinto…

melhor seria compreender a raiva como algo cumulativo… ou melhor ainda como juros insano da própria existência (para ficarmos com a compreensão mais ligada ao tempo do capital)…

sabe-se pouco na primeira pessoa, pois a especialidade é sempre na vida alheia… e isso certamente acentua a sensação de potência, por estabelecer como contraponto a certeza da impotência… o ração dessa especialização vem das inúmeras não-notícias sobre a vida de pessoas classificadas como celebridades e sobre a das não-celebridades que, na metamorfose do instante, passam a ser…

o ser, nesse caso, não é… porque fruto da construção imposta, mas passa a ser, em função da necessidade insana, ainda que coletiva, de que alguém ocupe o lugar vago no acontecimento alheio… a vida insuportável de cada pessoa em particular padece de destaque… e o aparelho midiático compreende bem essa insuportabilidade…

somos nada que interessa, como querem gritar os versos do lordose pra leão, mas há uma insistência contra a conduta pessoal dentro do espaço coletivo… e nesse caso não há como perdoar a avassaladora culpa que acovarda as ações…

de qualquer forma a vida se dá conta de desestabilizar o humano, esse demasiado, por uma conjunção de fatores externos… o soco pessoal da realidade acerta em cheio a fraqueza de cada um e é nesse momento que tudo parece desabar.

então, o melhor seria estender a mão ao outro e compartilhar harmonia… no entanto, não há essa capacidade… o indivíduo humanizado destaca-se como carnívoro que se alimenta mesmo sem fome… o sentimento é destrutivo… sempre foi e sempre será… não há domadores capazes de resistir ao tédio da jaula… a fera, em consonância com a plateia, percebe e impõe suas garras por um instante… suficiente para uma mudança de domador, mas insuficiente para curar a raiva…

nesse mundo de agora, porque o presente é sempre o lugar-tempo em que estamos, em que o virtual criou o mundo externo das redes sociais, cheio de ofensas alheias, o watzap revela, na mensagem com rosto e nome, o inconsciente coletivo… cheio de putaria, violência, preconceito e raiva… muita raiva…

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