a cadela do fascismo está sempre no cio

  • Lúcio Manga
  • 11/jun/2017
  • 3 Comentários

leia a coluna de hoje ouvindo remonta, por liniker… acesse aí, vai:

http://%20https://www.youtube.com/watch?v=i98g9X4NamQ&index=11&list=RDM4s3yTJCcmI

e se tatuassem na sua testa o julgamento de sua existência?

em tempos de julgamentos sumários, é preciso ter mais compreensão da história e de demasiado, o humano, para que se possa compreender que, a justiça, na esfera de uma estrutura democrática, requer deixar a sentença para o judiciário… do contrário, a barbárie vence.

já se sabe, os livros de história estão aí para confirmar, que marcar o humano com a tatuagem da exposição do que representa em vida aos olhos dos outros sempre fora um ato de desumanização.

a fila de seleção nazista é uma marca histórica que se quer apagar da memória, mas não é tão simples quanto parece.

nesse tempo em que se evaporam as relações, – porque quero entender a modernidade líquida de bauman como algo que desmanchou as estruturas das relações humanas e, na fervura do real, evapora-se cotidianamente, aposto nessa evaporação como uma forma pessoal de olhar para as coisas ao redor -, o inconsciente coletivo dos grupos de whatsapp evidencia o que demasiado, esse humano é capaz de curtir e compartilhar… é o velho provérbio “diga-me com quem andas, que te direis quem tu és” (תגיד לי עם מי אתה הולך, כי אגיד לך מי אתה).

a tradição humana e sua desfaçatez moral exigem um pouco de trabalho de leitura para a compreensão… o comportamento ético exige um esforço diário, um trabalho individual pautado no que não se deve fazer… e é claro que se sabe o que não se deve fazer.

na leitura de totem e tabu, de freud, depara-se com a seguinte afirmativa: “a base do tabu é uma ação proibitiva, para cuja realização existe forte inclinação do inconsciente”… então, fazer o mal é um tabu, porque se quer o bem. depende?

na evaporação ética, muitas pessoas compartilharam o vídeo de um rapaz que supostamente (digo supostamente, pois não há apuração policial no vídeo, somente o prazer de se fazer vingança, não justiça) havia cometido um crime, com frases e adjetivações de efeito… uma reação do “é isso mesmo”… voltando a freud, era o inconsciente dos demasiados, esses humanos, a mostrar a sua face mais perversa.

há, no brasil de agora, muitas certezas… é muita gente com espaço disponível em redes sociais a compartilhar o que acreditam… amigos reclamam… tenho visto como algo positivo, no sentido de podermos perceber do que o outro é capaz de dizer e compartilhar… o debate é raso, por haver pouca leitura…

na sua era dos extremos, hobsbawm, elucida de maneira exemplar, a breve história do século 20… nunca se matou tanto humanos na história quanto no século 20… matança por guerras e por fome… é a história, não há como negar… e estamos nela de corpo e alma… nasci no século 20 e ainda estou por aí no 21, tentando me compreender… aliás, exercício em que as seções de análise com prates, a tânia, alavancam o que há escondido por traz das sombras do meu inconsciente… todo mundo deveria fazer análise, como deveria ler mais… usar o tempo para se debruçar sobre as palavras e as ideias… alimentação maternal.

voltando à ética… não se pode gostar de ver alguém se vingando (deixe para usar a desconstrução do tabu na ficção, ali é só o seu prazer inconsciente), porque a realidade insuportável pode nos colocar na posição do tatuado o tempo inteiro…

na provocação inicial, e se tatuassem na sua testa o julgamento de sua existência?, o que se deseja é um minuto de reflexão antes de expandir o ódio… o momento por que passamos exige mais paciência.

ao terminar essas linhas, soube que o tatuador-vingador fora preso… mas e você? você que compartilhou a ação nazista e comemorou com um kkk… imagine-se tatuado com os dizeres da sua existência cravados na testa… não deve ser bom, tenha certeza disso…

a propósito, assista ao episódio “urso branco”, da série black mirror… deixo aqui uma pergunta para o seu percurso psicanalítico: você pagaria para participar do parque temático proposto no enredo do episódio?

 

na mosca! – “ainda é cedo amor…”, por cartola

([email protected])

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3 COMENTÁRIOS

  • Rodrigo Drumond - 11 de junho de 2017 às 18:35

    ao terminar essas linhas, soube que o tatuador-vingador fora preso… mas e você? você que compartilhou a ação nazista (????????) e comemorou com um kkk… imagine-se tatuado com os dizeres da sua existência cravados na testa… não deve ser bom, tenha certeza disso…

    Primeiro que não há nazismo algum, faltou estudar um pouco de história aí, mas vamos lá:
    Em segundo lugar, não é Tatuador Vingador, nem sequer conheco esse cidadao, mas tenho a absoluta certeza que a ação dele nada mais foi do que um Brasileiro revoltado com toda essa “canalhice” e “sacanagem” no qual vivemos hoje, não só a corrupção mas também a “Obrigatoriedade” de seguir o politicamente correto que ao ver é uma das PRAGAS da humanidade. Ele simplesmente demonstrou seu ódio dessa forma, mas demonstrou, aquilo que o brasileiro está cansado, está impotente e sem esperança de melhora já que pessoas como você defendem o BANDIDO SAFADO VAGABUNDO que é esse LADRÃO que o roubou, roubo é considerado uma violação ao mandamento, lembre-se disso…
    BOLSONARO vem ai e esse “aperto” tem e vai acontecer… Pelo futuro dos meus filhos, pela volta dos bons modos, pela volta da educação, pela volta da honra e dignidade.

    • Lúcio Manga - 11 de junho de 2017 às 21:14

      olá rodrigo, obrigado por ter lido e por ter escrito.
      a questão é delicada. mesmo que se queira trabalhar com a ideia de que haja revolta, não se pode trabalhar este hipótese, por haver a chance de barbárie, e, nesse caso, comprometeremos o futuro dos nossos filhos (também sou pai). o estado de todos contra todos (já nos alertara hobbes) sinaliza o que vemos em sociedades totalitárias. vivenciamos, por hora, um descontrole institucional, o que tem acirrado o debate, mas… voltando ao caso em questão, há um erro de conduta inicial (segundo o ponto de vista do tatuador), relacionado, a meu ver, por outro erro (vingar, marcar, o suposto infrator). pensemos: não há honra em se fazer o mal. você cita a violação um mandamento cristão, violando o oitavo “Não levantar falso testemunho”.
      eu sei, é complicado. mas acredito que a sua intenção é colocar para fora, desabafar.
      quanto à história que eu preciso estudar… bem é o que mais faço… estudar e ler… a minha vida é cercada de livros por todos os lados, sou incentivador da leitura. sugiro, então, que leia a história do nazismo, a ideia comparativa, presente em meu texto e ilustrado pela imagem, surgiu desse desastroso pedaço da história da humanidade… aliás, nasceu de uma conversa com meu irmão, que é historiador competente e estudioso. fraterno abraço, meu caro.

  • carlos - 12 de junho de 2017 às 04:10

    Tem pessoas como o Rodrigo que não sabe o que são as instituições. Elas existem, está no sistema político administrativo da nação :MP, poder judiciário e polícias. A indignação ou o não acreditar que algo possa ser feito em termos de punição por parte desses órgãos não pode simplesmente levar a vítima a proceder nos termos da lei de Talião. A vingança privada pode levar sim a equívocos. A legítima defesa em casos específicos estabelecidos na lei,e nao caberia no caso em tela da maneira que foi feita. Agora ,essa fala do leitor de “levar bandido para casa”, defensor de vagabundo é uma lástima. Argumentação medíocre e descontextualizada. Pelo que sei existem LEIS e deve ser seguidas. A vítima pegou o meliante? Porque não chamou a polícia? Fico cá pensando, se minha irmã for estriada vou também estuprar a irmã do bandido? Nesse caso em defesa da minha família e no momento do crime,poderia e agiria para que o criminoso deixasse essa para a pior. Temos “situações” e Situações . Ademais a ação da vítima pelo que percebo foi criar um fato e passar para a rede para ganhar curtidas? Complicado.

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