mordo de medo

  • Lúcio Manga
  • 18/jun/2017
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leia a coluna de hoje ouvindo o vencedor, por los hermanos… acesse aí, vai:

https://www.youtube.com/watch?v=bF9XMlEg_LM

bem… eu mordo de medo… não sei se você que me lê tem esse sentimento, porque essa é uma questão complicada.

façamos então o exercício da leitura. sugiro o monólogo de hamlet… a existência de humano, esse demasiado, configura-se como algo marcado por um sofrimento agudo… quanta dor, quanto terror percorre os dias do cada dia é nos deparamos cercados de incerteza… ser ou não ser, eis a questão?

na velocidade galopante, é bem provável que pouca gente se dê conta de que o mundo ao redor é a experiência real…

de modo que, se você é preconceituoso no particular, impulsiona esse sentimento para além da sua rotina… é a ração diária que alimenta a cadela do fascismo… ela adora ração humana… hábito mitológico.

na semana passada, a testa tatuada fez sucesso… a defesa do ato e o ataque foram explícitos nas redes e nas colunas dos jornais e nos blogs… mas queria poder pesquisar os whatsapps para contabilizar o apoio à atitude escravocrata… marcar e punir na carne era o julgamento da casa grande… mas mudou?

a história do cotidiano diz que não…

há quem diga (e disseram nos e-mails) que eu defendo bandido… um equivoco, defendo o julgamento proposto no contrato social, mas repararia o sistema prisional, porque não recupera o apenado e o aprisiona eternamente (exceções não valem) o humano à criminalidade…

um olhar lançado em direção ao passado confirmará que os pobres e pretos estão na mesma cena do século 18… servem a comida e servem de exemplo… mesmo verbo, sentidos diferentes… a linguagem, objeto de meus estudos, ajuda a compreender nossa ignorância.

há uma perpetuação da tradição feudal, a ignorância afoga a humanidade, que insiste em dar errado… as instituições colaboram de forma incisiva para esse fracasso, por manter uma linha de raciocínio avesso às mudanças da realidade…

a escola, cujo papel deveria ser transformador, perde a clientela no meio de um emaranhado de conteúdos pouco atraente a todos… prepara para o mercado (com o seu fantasma da mão invisível) e esquece a convivência, a relação, o companheirismo…

digamos que, caso houvesse uma prova a avaliar as instituições de ensino (exceções não contam), certamente, ficaria de prova final… e reprovaria…

afinal de contas, os humanos, esses demasiados, passam a infância e a adolescência na escola, e a realidade confirma que a formação falhou…

nessa complexidade por que passa o país, estão envolvidos muitos indivíduos do executivo, legislativo e judiciário… todos (exceções não consideramos) passaram por boas escolas… e se agregarmos a sociedade, a conta não fechará nunca…

o fracasso ético evidencia-se a todo instante… e isso acirra os sentimentos… por isso, a sugestão do hamlet, leia a obra, perceba que há sempre uma grande indecisão a cercar a personagem central… como na vida, a decisão é do indivíduo… é sempre o eu, e não o outro… e a dificuldade reside na ação.

sou pessimista… não vejo saída para a humanidade… a história, acredito sinceramente nisso, é um algoz estimulante… mostra-nos como o fascismo, a escravidão, a fome, a miséria, a matança de humanos lgbt, o feminicídio, a guerra… perpetuam-se…

mesmo assim, não custa lembrar que a ação é do indivíduo… a luta é diária contra a história, por isso, é preciso olhar-se e dizer o devastador: ser ou não ser, eis a questão? o tempo inteiro…

morda-se de medo… e boa semana!

 

na mosca! – “ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre na mente sofrer as pedras e setas da fortuna enfurecida ou tomar de amas contra um mar de provações e em oposição pô-las a têrmo? morrer, dormir, não mais, e supor que com um sono eliminemos a dor no coração e as mil mazelas naturais de que a carne é herdeira; é uma consumação a ser devotamente desejada. morrer, dormir… dormir! porventura sonhar: sim, eis o problema, já que nesse sono mortal os sonhos que possam sobrevir, quando já livres deste turbilhão da existência, devem fazer-nos hesitar: eis o respeito que dá vida tão longa à calamidade, pois quem suportaria o açoite e o escárnio do tempo, o agravo do opressor, a arrogância do orgulhoso, as chagas do amor desprezado, a tardeza da lei, a insolência da autoridade e o desdém que têm pelo mérito paciente os indignos, quando ele próprio poderia seu quietus engendrar, com um simples furador? quem carregaria tais fardos, grunhindo e suando sob uma vida fatigante, não fosse o pavor de algo após a morte! da terra inexplorada de cujas raias viajante algum retorna, a confundir a resolução, e fazer-nos antes suportar as dores que temos que voar até outras as quais ignoramos? assim faz a consciência de todos nós covardes, e assim o matiz saudável da determinação é acometido pelo pálido verniz da cogitação e empresas de grande vigor e imporância, com tal consideração, seus cursos desviam-se do rumo, e perdem o nome de ação. cala-te agora! a bela ofélia ninfa… em tuas orações sejam lembrados todos meus pecados..”

hamlet

 

([email protected])

 

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