olha só…

  • Lúcio Manga
  • 29/jan/2018
  • 0 Comentários

leia a coluna de hoje ouvindo carcará, com bethânia. acesse aí, vai:

https://www.youtube.com/watch?v=Mw6uxqmHBNY

 …não adianta se esquivar da vida, porque a realidade, essa maldita, determina o comportamento… e o mundo concreto faz isso, nos suspiros do tempo, de maneira a acompanhar cada passo do indivíduo.

há sempre uma dúvida sobre o que condiciona o indivíduo a viver a vida e a vivê-la sem que isso pudesse ser um fardo… esqueça… existir, por si só, carrega fardo, e há uma tradição histórica, um currículo interno, programado para colocar cada humano em seu devido lugar… e mais ainda a ditar qual será a pedra a carregar… a partir disso, pode-se fundamentar uma estratégia para levar a vida…

o momento histórico sempre foi avassalador… pense no indivíduo que, lá no século 19, vivenciou a transição para o mundo capitalista, para o mundo pós revolução francesa, para o mundo em que a revolução industrial cravou sobre o espaço e o tempo os trilhos de sua avassaladora locomotiva…

essa velocidade, ainda que ali, naquele terreno histórico, fosse mais lenta que o trem bala de hoje, era um assombro… certamente, ao indivíduo categorizou-se a ideia de que era possível viver as maravilhas que o avanço prometia… o mundo ao alcance das mãos…

de modo que…

existir é façanha do tempo presente, com uma mala abarrotada de fatos históricos… isso por si só evidencia a necessidade de se estudar história, filosofia e arte, como embarcação em que esses três passageiros seguram o leme e navegam o humano… quem não mergulha nesses três cavalheiros da existência humana deveria ficar como plateia…

difícil?

como existir está ligado ao agora e não ao ontem… a ideia popular “bola pra frente” pode levar você a passar vergonha… o agora é ambientado pela possibilidade de expor o que se quer a qualquer momento… ou seja, há mais chances de que você se configure como um idiota do passado, pois o futuro está logo aí… melhor não se comprometer com algo em evidência, melhor olhar por trás das evidencias… mas, e o impulso?

embora dotado de razão, o humano pulsa, rasteja à força… ou seja, embora dê para pensar nas ações, é a realidade, com a sua libido disfarçada de doce de avó, que lança o humano para o drama…

existir é drama puro…

os românticos do século 19 fizeram triunfar a volúpia dos sentidos… narraram a transcendência do real, sobre o chicote severo da impossibilidade de realização do sonho absoluto do “eu”… nessa caravana de vontades, pulsa a melancolia, a busca pela solidão…

era um aviso…

existir é saber que o sonho absoluto da realização de si mesmo não terá resultado, porque é impossível prever a existência… e mesmo sendo perda de tempo, o inconsciente, essa maravilha assombrosa, governa a carne e os ossos…

todo ser é escravo da existência…

o que é óbvio, mas há uma negação… lembram da mala abarrotada de fatos históricos? pois é… ali dentro há, para você que é passageiro dessa existência colonizada, o cristianismo e a sentença da desconstrução de qualquer potência… servir a vida sem força… a vida de joelhos, em nome do pai, do filho e do espirito santo… ajoelhar-se é, na essência, conduzir-se ao fracasso… e pedir perdão ao que não se pode ver para crer, convenhamos, beira ao insulto… mas é claro que, de tão incorporado, você vai me amaldiçoar… como fazem os covardes…

de todo modo, fica a provocação…

a roupa mais usada é sempre a que menos combina com você…

só que não é simples perceber… uma vez que ela está sempre à primeira vista, quando a mala da existência é aberta… e como mero servo, como mera ovelha, você se veste do que, de fato, não é…

não ser é a sua maior tragédia…

não ter escolha – embora todo o aparelho de controle insiste em dizer que há muitas opções – é a sentença do imprevisível que assombra…

comece a ler, antes que a ignorância se apodere da sua capacidade de pensar…

nessa sociedade em rede, é fácil diagnosticar os fracassos coletivos… é muita gente preocupado com a vida dos outros… isso é ou não falta do que fazer de si mesmo?

 

( [email protected] )

Publicidade

0 COMENTÁRIOS

DEIXE AQUI SEU COMENTÁRIO