mãos ao alto, fracasso da razão!

  • Lúcio Manga
  • 16/mar/2018
  • 3 Comentários

leia o texto ouvindo chico science & nação zumbi – lixo do mangue/da lama ao caos – montreux jazz festival, suíça, 1995… acesse aí:

https://www.youtube.com/watch?v=vrb86nqCkbY%20

…diria freud aos gestores da realidade… também diria freud que “o futuro de uma ilusão” está aí, estampado e concretizado…

esse texto é importante para se lançar um olhar sobre o brasil de já… o país da incerteza e da opressão social… que mata vozes, gritos…

país, cujo povo ainda vivencia a experiência do descobrimento, trocando a si mesmo por espelhinhos só vaidade… antropofágica indigestão do ego… aqui, devora-se a existência, arrancam-se nacos de carne, enfraquecendo os mais pobres e transformando-os na presa fácil do cotidiano…

quem pode ser contra acabar com a vulnerabilidade social e proporcionar uma vida que valha a pena ser vivida?

embora esse questionamento percorra a ideia de que o bem-estar social é a propaganda dos países do bloco acima (bem acima) do equador, por aqui, a ideia de exploração até o osso fundamenta debates assustadores nas redes…

o humano brasileiro vive a era hobbesiana virtual… muitos lobos em pele de lobo mesmo porque nunca me enganaram… salivando de ódio, mas com jesus na timeline…

lá, em o futuro de uma ilusão, freud alerta: o indivíduo é virtualmente inimigo da civilização, logo, a civilização precisa ser defendida contra o indivíduo

virtualmente, é claro, tem um sentido mais concreto nessa pós-modernidade careta…

convenhamos, aqui entre nós, só dá covardes… gente que lê pouco… que não sabe interpretar…

pensemos então sobre o decreto para controle militar do rio de janeiro, mas lembrando que esse compasso da desilusão é a cadência do samba de qualquer cidade, porque a brutalidade social apresenta-se multifacetada de sotaques…

a brutalidade do indivíduo não só na violência exposta como ferida nos noticiários, mas a brutalidade da exploração do humano, a ganância… quanta gente saliva de prazer em ver a dor do outro, materializada no conforto do lar… quer dizer, no confortável (des)controle remoto de humanos dos grupos de whatsapp, esse inconsciente coletivo da violência dos justiceiros, do sexo e das mensagens religiosas… tudo-ao-mesmo-tempo-agora, a diarreia cotidiana…

as pessoas são más e estão se deliciando com a possibilidade da desconstrução da ética dos costumes… a ideia kantiana do agir de modo que esse agir se faça universal ficou no século 19…

…insegurança é o alicerce de qualquer gestão organizada… controlando a incerteza, o poder mostra o que é capaz de fazer… o mundo motivado pela belezura do capital ganha dinheiro às custas do medo imposto ao cidadão… não há felicidade sem dinheiro porque a felicidade do humano do século 21 … do humano corporativo… tem um custo… não vejo volta…

a não-miséria condensa parte da civilização que não sabe o que significa não poder ter as coisas no mundo das maravilhas do consumo… os produtos que condicionaram o humano, e essa armadilha deu tão certo, a ponto de determinar, no indivíduo humano, espécie capaz de pensar, que tudo não passa de um querer inescrupuloso…

na era do compartilhamento das felicidades impossíveis e improváveis… porque ninguém pode ser tão feliz assim como está exposto no facebook e no instagram… a não ser se motivado pelos antidepressivos que, no afã dos desejos, retiram de cena o sufoco do cotidiano e transformam a realidade em alegrias… é preciso desconfiar.

com farmácias em cada esquina, as drogas festejam a todos… é preciso desconfiar de uma cidade em que as esquinas tenham farmácias e não botecos… gente doente… e, o que é pior, “de cara”…

enquanto anestesia os corpos, a mão visível (explicitamente visível) do poder e do mercado, passeia, braços dados com a opressão… porque ser pobre, neste país, significa submeter-se às imposições da casa grande… significa morar no desespero do não-ter…

é claro que não se quer discutir o que, de fato, lança indivíduos ao universo do crime, porque seria uma forma de nadar sobre as evidências e sobre o dar com os ombros de quem não está nem aí… porque nada mais importa…

( [email protected] )

 

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3 COMENTÁRIOS

  • Paula Almeida - 16 de março de 2018 às 22:56

    Perfeita reflexão sobre o momento em que (sub)vivemos e onde o crime compensa…

  • Waleska Cintra. - 17 de março de 2018 às 00:07

    Não sei… Como lutar numa era onde o virtual se sobrepõe ao real? E os mundos se confundem? Nos escondemos nas redes sociais, onde tudo é aceito e/ou contestado por trás das telas/teclas… Fácil!!!
    Botar a cara a tapa… se responsabilizar. … ser fiel…ser real. No mundo virtual, Marielle fala, usa sua voz … Quem você pensa que é? O mundo real cala Marielle!… Quem??? Quem responderá??? Que país é esse???

  • Ana Carolina - 17 de março de 2018 às 11:46

    Realmente essa está sendo a realidade pós-moderna que estamos vivendo. O ser humano, talvez não só o brasileiro, não para de pensar no próprio umbigo. Aparentemente, todos estão se tornando juízes, sem escrúipulos, sem ética e o pior, na minha humilde opnião, sem sensibilidade, nunca se colocando no lugar do outro. As vezes fico imaginando como é possível que o ser humano tenha se tornado tão “bárbaro”, mas talvez, sempre foram assim.

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