A Copa do Mundo e a Política do Pão e Circo

  • 08/out/2018
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Por Bharbara Pretti Dalla Bernardina;

De quatro em quatro anos, o Brasil fica paralisado por pelo menos 90 minutos mais prorrogações. De jogo em jogo, de gol em gol, a população brasileira é tomada por um nacionalismo que invade o coração de todos, não importa em que lugar do país ou do mundo os brasileiros estejam, todos estão ligados na mesma sintonia e o coração verde e amarelo pulsa ainda mais forte.

Porém, por trás das redes do gol, a realidade é bem diferente do “carna copa” que vivemos nessa época. Os parlamentares, que, o ano inteiro, demoram para deferir medidas, durante a copa, foram capazes de deferir diversas medidas, dentre elas, a medida que possibilita que a Petrobras repasse às empresas petrolíferas estrangeiras a exploração de imensas áreas do pré-sal na Bacia de Santos e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) autorizou reajuste de até 10% para planos de saúde familiares e individuais, ante uma inflação anual de 2,71% medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE, dentre outras medidas.

Dessa forma, resta claro que o Congresso se aproveita da Copa para agir contra o interesse nacional, fazendo com que os brasileiros sejam levados pela emoção do futebol e se esqueçam do cenário no qual o país vive hoje.

Se dentro de campo, a cada vitória, o coração dos brasileiros era só felicidade, com o fim da copa para o Brasil, após o fatídico jogo contra a Bélgica, é hora de encarar a realidade, que não é das melhores, nem política nem economicamente.

E o que isso tudo tem a ver com a Política do Pão e Circo? A Política do Pão e Circo, como ficou conhecida, existia na época do império Romano, em que, para governar da forma que bem entendia e garantir o apoio do povo, o imperador Romano garantia o trigo, principal elemento para fazer o pão, o mais importante alimento daquela época, para que a população apoiasse o Governo, e oferecia ainda espetáculos, que ocorriam em torno de 182 dias por ano, além de, proporcionar, a cada dia trabalhado, 1 ou 2 dias de folga. Isso tudo com intuito de desviar a população do foco no Governo daquela época.

Assim sendo, satisfeitos com os espetáculos e não morrendo de fome, o povo romano não se insurgia contra as políticas praticadas pelo Império naquela época, que era exatamente o objetivo do Imperador, pois quanto mais informado é o povo, mais difícil é governar, já dizia um famoso provérbio Taoísta.

Diante deste cenário caótico ao qual nos descobrimos após a Copa do Mundo, pelas medidas aprovadas e outros desastres como a alta do dólar dentre outros, o que nos resta é lutar até o fim, e não desistir, assim como fizeram os jogadores da nossa seleção no jogo contra a Bélgica, não desistindo e cobrando das autoridades atitudes que sejam condizentes com o que é de interesse da população. O povo brasileiro precisa acreditar até o fim, pois, quando o povo adota uma postura ativa diante dos cenários que se vive, temos a chance de virar o jogo.

Por fim, para solucionar os problemas atuais, precisamos de um Estado que se baseie nos princípios liberais; precisamos cobrar do Estado quando ele age em desacordo com o que é esperado; devemos garantir que o papel do Estado em garantir a segurança da população seja efetivamente cumprido, deixando que o mercado e a economia se guiem por suas próprias regras.

Ademais, devemos ser cidadãos mais ativos, valorizar o nosso voto e fazer questão de votar. Não devemos ser complacentes diante de todo e qualquer tipo de corrupção as quais presenciamos e vemos diariamente por parte dos políticos ou das pessoas que conhecemos, porque corrupção é corrupção independentemente de quem a pratique. Precisamos construir nosso futuro com nossas próprias forças, “…porque quando a gente decide jogar o mesmo jogo, ninguém consegue parar a gente”.

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