Sommelier Profissional? Afinal de contas o quê é preciso para fazer jus a essa titulação?

  • Luiz Cola
  • 29/maio/2014
  • 1 Comentário

Não sou muito afeito a trazer polêmicas deste gênero para dentro do blog, mas dessa vez não pude resistir e me senti compelido a trazer à tona esse assunto… Que existem em nosso mercado/mídia de vinhos contém alguns “falsos profetas” e “especialistas” sem qualquer formação consistente ou experiência significativa nem é preciso dizer, mas encontrar alguns indivíduos que vão mais além e se auto-intitulam como “sommeliers profissionais”, é duro de engolir e um claro desrespeito aos verdadeiros profissionais do ramo, pessoas que dedicaram muito tempo de estudo antes de merecer tal chancela.
Recentemente tomei um susto ao me deparar com um desses indivíduos ao navegar numa rede social de fotografias na internet. O pretenso “sommelier profissional” cita sua formação na WSET (Wine and Spirits Education Trust) para ostentar o “título” em seu currículo, “esquecendo” de mencionar que ele fez apenas o nível 1, um curso introdutório em vinhos de apenas 8 horas, ou seja apenas a pontinha do iceberg desse exigente curso que prepara os candidatos ao cobiçado título de Master of Wine
Considerando o que está descrito no escopo deste segmento da qualificação WSET (divido em 4 níveis) fica nítido que ele não é suficiente para designar ninguém como “sommelier”, isso seria o equivalente a dizer que alguém pode ser chamado de médico após fazer apenas um semestre do longo curso de medicina: “Esse curso de vinho com duração de um dia fornece o conhecimento básico de vinhos e harmonização com comida. O nível 1 é uma qualificação de entrada, fornecendo uma introdução simples ao vinho. É ideal para aumentar a confiança de novos funcionários ou inexperientes na linha de frente de restaurantes, hotéis e varejo. É também um ótimo curso para aqueles que querem conhecer as principais variedades de uvas e como combinar alimentos e vinhos.”
Além dos 4 níveis do WSET, um curso focado principalmente nos profissionais que desejam trabalhar no mercado de vinhos, os outros cursos profissionalizantes de reconhecida credibilidade para a formação de sommeliers são aqueles realizados por entidades como a ABS (Associação Brasileira de Sommeliers),  o SENAC e algumas universidades brasileiras que firmaram parcerias com instituições internacionais para formação desses profissionais.
Isso me faz lembrar do episódio do “brunellogate” que voltou à tona nesta semana na Itália, onde novos “brunellos” foram flagrados com adulterações em seu conteúdo. Espero não me deparar mais com esse tipo de “interpretação da realidade”, elas acabam sendo descortinadas mais cedo ou mais tarde… 
Um brinde aos verdadeiros sommeliers!

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1 COMENTÁRIO

  • Joelma Canedo - 17 de fevereiro de 2019 às 11:28

    Ótima mensagem, na busca de uma qualificação no ramo, encontrei diversos perfis nas redes sociais de pessoas que se intitula o bam bam do vinho sem ter nada de qualificação, infelizmente a maioria das pessoas são levadas ao erro apenas pelo que vêem, por uma foto, um comentário etc., Sem procurar saber quem o transmissor é na realidade!

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