Os Balcãs na taça: degustando os exóticos tintos da Romênia, Bulgária, Eslovênia e Grécia!

  • Luiz Cola
  • 21/maio/2015
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Degustação dos Balcãs: Romênia, Bulgária, Eslovênia e Grécia na taça!
Para a maioria dos enófilos de hoje, os Balcãs, a extensa região montanhosa localizada no sudeste da Europa, é identificada com o vinho apenas pelo aspecto histórico, sendo considerada a mais antiga região produtora do mundo e origem de muitas castas viníferas.  
Durante décadas, subjugados por regimes socialistas, a maioria das áreas produtoras de vinho nos países que compõem a região deixaram essa atividade em segundo plano, especialmente no aspecto qualitativo. Com a queda desses governos no final dos anos 1980, países como a Eslovênia, Croácia, Macedônia, Moldávia, Romênia e Bulgária finalmente puderam correr atrás do tempo perdido e, aos poucos, voltar ao cenário vinícola mundial.
Aqui no Brasil temos muito poucas opções de rótulos para degustar ou comprar oriundos dos Balcãs, mas graças a ousadia da Winelands, uma pequena importadora que traz vinhos bastante diferentes para seu clube de vinhos, já é possível encontrar um bom número deles por aqui.
Reuni uma pequena seleção com 4 vinhos tintos oriundos de diferentes países da região (Romênia, Bulgária, Eslovênia e Grécia), dois deles produzidos com castas internacionais (um Merlot e um CS) e os demais com castas autóctones (Feteasca Neagra e Xinomavro), para colocá-los diante de um grupo de enófilos acostumados com vinhos de estilo moderno e avaliar a receptividade que teriam em uma degustação.
Para obter a maior isenção possível na avaliação do grupo, a degustação dos vinhos foi feita às cegas e sem nenhum aviso prévio sobre o tema. O resultado foi bastante interessante e, de certa forma, esclarecedor. Como era de se esperar, os dois vinhos feitos com Merlot e CS foram os mais apreciados, enquanto os “autênticos” tintos feitos com Feteasca Neagra e Xinomavro causaram uma certa estranheza ao paladar deles.
No meu modo de ver isso se deu mais pela familiaridade desse grupo com as castas internacionais do que por um diferencial qualitativo dos vinhos (ainda que eu mesmo tenha achado o Merlot búlgaro o melhor de todos). Reconheço que o paladar exótico da grega Xinomavro (literalmente, negra ácida) e da romena Feteasca Neagra (donzela negra, em português) necessitam de uma certa “aproximação” prévia para serem melhor entendidos.
Apesar de tudo isso, o aspecto mais valioso na prova destes vinhos foi enxergar o bom potencial qualitativo que eles tem para oferecer. Tomara que o “tempo perdido” nos anos do comunismo sejam rapidamente recuperados, resgatando a tradição de sua antiga origem.

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