Duas facetas da delicada e fascinante casta Pinot Noir: Guy Amiot et Fils 2011 e Neudorf Moutere 2001!

  • Luiz Cola
  • 09/jul/2015
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A Pinot Noir é considerada a mais elegante e sedutora dentre as castas tintas usadas na elaboração de vinhos finos. Além disso, existe uma certa mística que a envolve em virtude da grande dificuldade para cultivá-la de modo bem sucedido. A Pinot Noir é bastante caprichosa e exige um terroir “perfeito” para expressar todo seu potencial, algo encontrado em pouquíssimas regiões do planeta. Na Borgonha, especialmente na Côte d’Or, onde estão os melhores vinhos feitos a partir dela, os preços de uma única garrafa podem chegar a milhares de euros. Isso se deve a minúscula produção (muitas vezes, menor que 3 mil garrafas/ano) e uma demanda muitas vezes superior. Fora desse pedacinho abençoado de terra, apenas a Nova Zelândia e a região noroeste dos EUA (Califórnia e Oregon) conseguem resultados realmente consistentes, oferecendo vinhos de ótima qualidade por preços bem mais acessíveis.

Fugindo desse lugar comum, onde se degustam rótulos caros da Borgonha e se buscam vinhos de outras regiões com um custo mais acessível, inverti essa lógica e busquei um rótulo de Pinot Noir da Borgonha que fosse mais acessível em termos de preço (até R$150) e um rótulo sofisticado e evoluído de Pinot Noir “Novo Mundo” (até R$300). Os escolhidos para essa análise foram o francês Guy Amiot et Fils PN 2011 (Grand Cru, R$147) e o neozelandês Neudorf Moutere PN 2001 (Premium, R$297).

Apesar de sua indiscutível simplicidade, o Guy Amiot 2011 conseguiu exibir claramente a delicada tipicidade de um Pinot Noir da Borgonha, com aromas florais, de frutas frescas e terra úmida, seguidos de um paladar levemente picante e sensual que resultou num conjunto muito agradável. Uma prova de que é possível beber um tinto da Borgonha sem dispensar grandes somas.

Do outro lado, o Neudorf Moutere 2001 da Nova Zelândia não deixou por menos e causou um grande impacto. Do alto de seus 14 anos de evolução, ele demonstrou ser um fascinante colosso de refinamento e complexidade, dignos de um Borgonha do dobro de seu valor. Dominado por intensos aromas de bosque (frutas silvestres, folhas secas e terra úmida), ele encantou ainda mais no paladar, com um corpo sedoso, perfeitamente balanceado com sua exuberante acidez e taninos demoradamente polidos. Graças a vinhos como ele a Nova Zelândia disputa com alguma vantagem diante dos PN’s americanos, o posto de melhores produtores de Pinot Noir fora da Borgonha. Um belíssimo vinho que faz valer cada centavo pago por ele.

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