1990-2010: As grandes transformações no mundo do vinho contadas através da castas!

  • Luiz Cola
  • 19/ago/2015
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É muito comum ouvirmos falar nas transformações ocorridas no mundo do vinho nas últimas décadas e que ele está divididos em dois grandes grupos estilísticos: o dos vinhos modernos (associados ao Novo Mundo) e dos vinhos tradicionais (Velho Mundo). Mas qual é o reflexo dessa divisão nas castas cultivadas ao redor do planeta? A composição dos vinhedos mundo afora mudou ou continua a mesma? Uma pesquisa realizada pela Universidade de Adelaide (Austrália) pode nos ajudar a responder essas perguntas.

As estatísticas levantadas por essa pesquisa mostram que a lista das 10 castas mais plantadas em 2010 mudou radicalmente quando comparada com a mesma lista das 10 castas mais plantadas de 1990. Nesse período relativamente curto de tempo (20 anos) ascenderam aos primeiros lugares da lista, duas das mais famosas castas da atualidade: a Cabernet Sauvignon e a Merlot (que ocupavam, respectivamente, a 8ª e 7ª posições na lista de 1990).

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10 castas mais plantadas em 1990

1. Airen
2. Garnacha Tinta (Grenache)
3. Rkatsiteli
4. Sultaniye
5. Trebbiano
6. Mazuelo
7. Merlot
8. Cabernet Sauvignon
9. Monastrell
10. Bobal

10 castas mais plantadas em 2010

1. Cabernet Sauvignon
2. Merlot
3. Airen
4. Tempranillo
5. Chardonnay
6. Syrah
7. Garnacha Tinta (Greneche)
8. Sauvignon Blanc
9. Trebbiano
10. Pinot Noir

Boa parte dessas mudanças pode ser creditada a expansão na área de vinhedos do “Novo Mundo”, mas é justamente nos vinhedos do “Velho Mundo” que ocorreram as maiores transformações. Ainda que as áreas dos vinhedos tenham se mantido mais ou menos estáveis, a migração para o uso de castas mais “modernas” ou com potencial para vinhos de maior qualidade ajuda a explicar melhor essa grande mudança na composição varietal dos vinhedos ao redor do mundo.

Enquanto as brancas Airen (Espanha) e Rkatsiteli (União Soviética) e a tinta Grenache (França/Espanha) perderam grande parte de suas áreas plantadas, as brancas Chardonnay e Sauviginon Blanc e as tintas Tempranillo e Syrah deram um grande salto dentro dos vinhedos mundiais.

A pesquisa australiana compilou dados de mais de 500 regiões vinícolas distribuídas por 44 países, contabilizando informações sobre 1.271 castas, algo que compreende em torno de 99% da produção mundial de vinhos.

As estatísticas mostram que há uma tendência na direção de uma maior homogeneidade das castas, certamente uma decorrência do sucesso da identificação do consumidor com rótulos que destacam uma determinada casta. Em 2000, 35 varietais respondiam ​​por 59% da área dos vinhedos do mundo, enquanto uma década depois essa participação atingiu 66% do total.

Outro aspecto importante nessa “dança das castas” é a mudança do clima (aquecimento global) nas regiões produtoras, um processo que tem influenciado diretamente na escolha de castas mais adaptáveis a essas alterações ambientais.

A pesquisa identificou ainda uma incipiente tendência do plantio de castas nativas pouco conhecidas, inusitadas ou “alternativas”, que visa obter uma diversificação nos vinhedos que possam gerar uma nova gama de vinhos capaz de atrair ainda mais a atenção dos consumidores.

Diante do cenário atual apresentado pela pesquisa, só nos resta fazer as apostas sobre quais serão as variedades dominantes nos vinhedos ao redor do planeta em 2030. Quem viver, beberá…

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