Barberas d’Alba, conheça os mais acessíveis e gastronômicos vinhos do Piemonte!

  • Luiz Cola
  • 07/jul/2016
  • 2 Comentários

A região italiana do Piemonte é famosa pelos vinhos feitos com a Nebbiolo, casta dos prestigiados Barolos e Barbarescos, deixando para a Barbera apenas um papel secundário na elaboração de seus melhores vinhos, mesmo sendo a casta mais popular e cultivada na região.

Mesmo ocupando essa posição de menor prestígio, a Barbera é capaz de oferecer vinhos varietais de ótima qualidade, sobretudo nas denominações Barbera d’Alba e Barbera d’Asti. Enquanto os Barberas oriundos de Asti costumam ser mais leves, frutados e com pouca presença de madeira, os provenientes da zona de Alba, apresentam-se mais vigorosos, concentrados e marcados pelo amadurecimentos em barricas e botti de carvalho.

Enquanto Asti tem nos excelentes vinhos “barricados” de Giacomo Bologna (Braida) seu grande destaque, é na zona de Alba se que concentram os melhores (e meus preferidos) Barberas, vinhos de aromas frutados (variando de cerejas a ameixas) e picantes, com rica acidez e taninos ligeiros (um pouco rústicos, às vezes), mas que se equilibram muito bem dentro do conjunto.

Bruno Giacosa Barbera d'Alba 2008
Bruno Giacosa Barbera d’Alba 2008 (US$115,90, na Mistral)

A meu ver, o maior encanto dos Barberas d’Alba é a sua versatilidade gastronômica. São vinhos capazes de harmonizar bem com inúmeros pratos, desde uma simples massa (pizzas incluídas) até as carnes vermelhas de preparo mais sofisticado. Para torná-los ainda mais interessantes, os Barberas costumam ser bem mais acessíveis que seus ricos primos piemonteses, tanto no tempo de guarda (estão prontos após um período de três a cinco anos), como em valor, custando a metade (ou até mesmo 1/3) do preço de Barolos e Barbarescos.

Borgogno Barbera d'Alba 2011
Borgogno Barbera d’Alba 2011 (R$123, na Bacco’s – importado pela Bruck)

Ao longo do último mês, bebi alguns ótimos exemplares elaborados na região, desde o icônico Barbera d’Alba de Bruno Giacosa, passando pelo vinho da tradicional vinícola Borgogno (sediada dentro da vila de Barolo), até o Ceretto Barbera d’Alba Piana. Todos eles, a seu modo, ilustraram bem o potencial que a Barbera nos oferece quando é bem trabalhada, fazendo um par muito adequado aos pratos da culinária italiana que os acompanharam.

Ceretto Barbera d’Alba Piana 2010 (R$110, na Devinum)

O vinho de Bruno Giacosa é monumental e marcante, justificando o alto preço relativo aos demais. O Barbera d’Alba da Borgogno é extremamente equilibrado, afinando perfeitamente sua viva acidez com os taninos delicados da casta. O Ceretto Piana segue um perfil um pouco mais moderno e fácil de beber, mas sem deixar de lado a tipicidade da casta.

Em resumo, eu diria que o Ceretto é um ótimo Barbera para quem deseja experimentar essa casta pela primeira vez, já o Borgogno é para quem busca seu perfil clássico, enquanto o vinho de Bruno Giacosa se destina àqueles que se apaixonaram pela uva, e estão cientes de que ela não é um “patinho feio”, mas um belo cisne escondido entre as névoas do Piemonte.

Publicidade

2 COMENTÁRIOS

  • Rafael - 19 de fevereiro de 2018 às 17:41

    Caro colega.
    Estou indo em Maio para a Italia, numa viagem que começará em Veneza e terminará em Alba, passando pela região do Barolo. Estou muito animado e gostaria de treinar mais o paladar para não fazer feio nas vinícolas que passarei. Tens alguma sugestão para mim?

    • Luiz Cola

      Luiz Cola - 19 de fevereiro de 2018 às 21:03

      Olá Rafael,
      A melhor sugestão que posso te dar nesse caso é “litragem”!
      Tente provar alguns Barolos, Barbarescos e Barberas do Piemonte que estejam ao alcance de seu bolso.
      Certamente a melhor opção é começar pelos barbarescos, mais acessíveis ao paladar quando jovens.
      Bons Barolos precisam de tempo de guarda (pelo menos uns 10 anos).
      Quanto aos Barberas d’Alba (melhores que os d’Asti), esses pedem comida obrigatoriamente. Aliás, todos eles… 🙂
      Partindo de Alba, não deixe de ir nas vilas de Barbaresco, Castiglione Faletto, Barolo e La Morra.
      Coincidentemente, vou passar pelo Piemonte nesse ano, mas somente no segundo semestre (outubro), na temporada das trufas.
      Abs,
      Luiz Cola

DEIXE AQUI SEU COMENTÁRIO