Os melhores e mais interessantes vinhos degustados em 2017!

  • Luiz Cola
  • 11/dez/2017
  • 10 Comentários

2017… Esse ano não fugiu à regra e também foi pródigo na degustação de grandes vinhos. Entre ótimas descobertas e agradáveis reencontros, passaram pelas minhas taças alguns ilustres desconhecidos (do público em geral) e vários rótulos célebres. Como já se tornou uma tradição aqui no blog, desde 2011 seleciono uma lista com os vinhos que mais se destacaram ao longo do ano.

Dentro de um universo que englobou várias centenas de vinhos, dos mais simples aos mais raros e sofisticados, utilizei critérios diversos para a escolha dos rótulos dessa lista: a excelente relação custo x benefício, a excepcional qualidade e, sobretudo, a emoção que eles me causaram (especialmente aqueles de 1967, bebidos neste ano de meu “cinquentenário” de vida).

Sempre me dá um certo trabalho para fazer essas escolhas, trazendo consigo uma sensação de injustiça por não incluir alguns vinhos. Mas, ao final, sempre fico confiante de ter eleito o grupo de vinhos (quase 70 dessa vez) mais representativo e marcante deste ano que está terminando. A lista está em ordem cronológica, mantendo os comentários publicados no instagram @luizcola no momento da degustação de cada um deles.

Infelizmente, uma boa parte dos vinhos escolhidos aqui não está disponível no Brasil, mas fiz questão de indicar o importador daqueles que estão presentes por aqui. Se tiver chance de prová-los, não deixe passar a oportunidade… Eu recomendo!

Olivier Horiot Rosé des Riceys “En Valingrain” 2010! Abro a seleção com esse excelente rosé de Champagne, bebido para celebrar minhas Bodas de Turquesa (18 anos de casamento). Lamentavelmente, indisponível no Brasil.
Jacques Selosse Les Carelles Blanc de Blancs Extra Brut NV! Um champagne de exceção para celebrar os 50 anos de um grande amigo… Mais um indisponível (atualmente) no Brasil.
Domaine Armand Rousseau Gevrey-Chambertin 1er Cru Clos St. Jacques 2000! Terroso, perfumado e muito intenso… Grande vinho! Indisponível no Brasil.
Wiese & Krohn Porto Colheita 1967! O primeiro dessa safra para celebrar a chegada dos meus 50 anos. Importado pela World Wine.
Domaine Christian Confuron et Fils Musigny Grand Cru 2005! Sublime em todos os sentidos… A Borgonha e a Pinot Noir em seu esplendor! Importado pela Casa do Porto.
Caves São João Reserva Particular 1967 Magnum (ex-cellar)! Outro vinho de minha safra… Fantástico em todos os sentidos! Importado pela Vinci (safras recentes).
Filipa Pato 3B Rosé NV, belíssimo espumante feito na Bairrada com as castas locais Baga e Bical… Fazia bastante tempo que não bebia um Rosé (fora da Champagne) tão bom! Importado pela Casa Flora/Porto a Porto.
RE Velado 2012, Pinot Noir vinificado em branco com um delicioso toque oxidativo e picante… Não ė vinho para todas as bocas, mas para quem aprecia seu estilo, será uma paixão fulminante! Importado pela Grand Cru.
Château Smith Haut Laffite Blanc 2003! Apesar da safra notoriamente quente, esse branco de Pessac-Léognan manteve o alto padrão de sempre… Refinado, complexo e muito intenso! Importado pela Mistral.
Château de la Tour Clos Vougeot 2006! Um clássico dentro dessa gigantesca (para os padrões da Borgonha…) apelação da Côte de Nuits… Importado pela Decanter.
Domaine Rossignol-Trapet Chapelle-Chambertin 2009! Um Grand Cru da Côte de Nuits simplesmente perfeito (ou quase)… Importado pela Cellar.
Degustação Horizontal de Premiers Crus do Domaine de Montille da safra 2008: Beaune Les Greves e Les Perrières, Volnay Les Brouillards e Les Champans e Pommard Les Pezerolles! Um grande exercício de percepção das sutilezas dos terroirs da Côte de Beaune… Todos excelentes (e diferentes)! Importados pela Mistral.
Jean-Pierre Robinot Les Vignes de l’Ange Vin Lumière des Sens 2014! Vinho elaborado no Loire com a peculiar e exótica casta Pineau d’Aunis de maneira absolutamente natural e sem nenhuma intervenção… Meio selvagem e picante. Certamente vai causar uma alguma estranheza aos paladares pouco acostumados com esse estilo de vinho. Depois de passar um tempo na taça ele vai ser melhor entendido pelo degustador… Achei sensacional! Indisponível no Brasil.
Borgogno Barolo Riserva 1947! Primeiro Barolo de uma vertical 1947-2007… Nada menos que 70 anos de idade em perfeita forma! Couro, alcatrão e raízes combinando com taninos finíssimos e muito complexos. Importado pela Bruck (safra recentes).
Château Lafite-Rothschild, o mais consistente dentre os 1ers Crus Classés de Bordeaux! Vertical com 5 safras (1982, 1990, 1998, 2000 e 2002) para observar a evolução desse clássico entre os 15 e 35 anos. Destaque para o 1990!
La Pousse d’Or Santenay 1er Cru Les Gravières 2008! Um mix de frutas exóticas (para os europeus, é claro…): Cajú, pitanga, genipapo e carambola! Sem importador no Brasil.
Renato Ratti Abbazia dell’Annunziata Barolo 1967! Espetacular em todos os sentidos… Complexo, floral, especiado e muito refinado! Indisponível no Brasil.
Incrível mini vertical de López Château Vieux… 1959, 1967 e 1974! Absolutamente íntegros, complexos e deliciosos de beber… Importado pela Vitória Foods/Uaine (safras recentes).
Domaine de Courcel Pommard Les Fremiers 1er Cru 2007! Esse é um daqueles vinhos que subvertem tudo que você achava que sabia sobre uma apelação de origem… Pommard com apenas 10 anos de idade, totalmente acessível, cheio de complexidade e elegância, existe? Sim, esse “danado” aqui ė a prova cabal de tudo isso… Simplesmente espetacular! Importado pela Cellar.
Dal Forno Romano Amarone della Valpolicella 2001! Provavelmente o melhor de sua espécie… Importado pela Mistral.
Pierre Overnoy Ploussard 1999! Depois de procurar bastante por esse vinho “únicornio” do Jura, acabei tenho o prazer de degustar um deles engarrafado no mesmo ano de meu casamento! Evaporou! Sem importador e quase impossível de achar em qualquer lugar do mundo…
Pierre-Yves Colin Morey Saint-Aubin En Remilly 2014! Ainda bem jovem, esse branco vizinho ao Montrachet já agrada em cheio o paladar… Elegante e repleto de frescor! Sem importador no Brasil.
Adeline Houillon & Renaud Bruyere Arbois La Croix Rouge Chardonnay 2013! Como esse branco desce rápido… Acho que não preciso dizer mais nada! Sem importador no Brasil.
Morey Blanc Montrachet Grand Cru 2003! Se há um branco inigualável nesse mundo, deve ser esse… Importado pela Casa do Porto.
Leon Paulcot Chambolle-Musigny 1953! Simplesmente espetacular… Licor de cereja do bosque (amarena), sous bois, casca de laranja e sei lá mais o quê… Certamente o melhor vinho antigo da Borgonha que já degustei… Sem importador.
Domaine Labet Poulsard Sur Charrière 2015! Quase um suco de morango disfarçado de vinho… Refrescante e levemente picante como se espera de um belo tinto do Jura! Indisponível no Brasil.
Huaso de Sauzal Garnacha 2013! Belezura de natureba chileno feito por Renan Cancino no Vale del Maule… Delicioso aroma de araçaúna mesclado com um paladar ligeiro, fresco e quase frisante! Importado pela Massimex.
Vina Tondonia Reserva 1998! Quem pensa que a Rioja é só feita de tintos, precisa descobrir os grandes brancos baseados na Viura feitos por lá… Esse é um dos melhores! Importado pela Vinci.
Petrus 1967! Sublime… O grande tinto da margem direita de Bordeaux dessa safra que é tão especial para mim. Tem vários importadores no Brasil.
Château Cheval Blanc 1967! 50 anos em plena forma. Exuberante, mesmo que a safra não seja tão pródiga quanto poderia ser… Vários importadores.
Jean-Francois Ganevat Plein Sud Trousseau 2014! Coisa liiiinda… 10% de álcool e 100% de prazer! Sem importador.
Barranco Oscuro Brut Nature 2001! Degolado em 2013, esse espumante é, na melhor das hipóteses, sensacional! Sem importador no Brasil.
Line-up de vinhos da Maison Leroy… Quatro brancos (Bourgogne 2008, Marsannay 2009, Puligny-Montrachet 1er cru Sous le Puits 2009, Chassagne-Montrachet 1er Cru Les Baudines 2009)muito bons em suas escalas de qualidade e um tinto (Santenay 1er Cru La Comme 2011) bem refinado, mas ainda jovem demais para expressar todo seu potencial! Sem importador.
De Martino Chardonnay Quebrada Seca 2013! Uma lastima descobrir que esse vinho nunca mais será produzido… A vinha simplesmente secou!
Benoît Lahaye Coteaux Champenois Bouzy Rouge 2011! Preciosidade de Pinot Noir feita na região de Champagne… Delicado, perfumado e repleto de frescor! Sem importador.
Caves Jean Bourdy Rouge 1967! Espetacular blend das castas tintas do Jura (Pinot Noir, Trousseau e Poulsard) exibindo sua longa capacidade de guarda… Segunda garrafa que bebo com o mesmo excelente desempenho! Outro sem importador por aqui…
M. Chapoutier Châteauneuf du Pape Barbe Rac 1997! 100% Grenache de vinhas quase centenárias… Se alguém duvida que é possível aliar elegância e vigor num mesmo vinho do Rhône, deveria provar esse com duas décadas de vida. Sublime!
La Vigne de Jules Chauvet “Deux barriques sous la fenêtre” Beaujolais Villages 2012 em magnum! Sem sombra de dúvida, esse foi o melhor Gamay que já provei fora dos Crus do Beaujolais… Vinho elegante e fresco, repleto de “glougloubilidade”… Magnum 7 de 12, uma preciosidade!
Nicolas Joly Clos de la Coulée de Serrant 2007! Depois de umas quatro horas no decanter ele começou a mostrar as suas armas… um vinho muito particular, que entra na categoria do “ame ou odeie”. Estou no primeiro time: acho sensacional!
Philippe Bornard Point Barre Ploussard 2015! Uma belezura do Jura como essa merecia ser apreciada na mais bela paisagem de restaurante do Rio de Janeiro… Sem Importador.
Belíssima vertical de Barolos de Aldo Conterno: Colonnello 1996, 1997 e 1998, Cicala 1990 e 1999! Cada um com seus méritos, mas eu destaquei o Colonnello 1997 e o Cicala 1990… Importado pela Cellar.
Serena Pinot Noir Vinhedo São Paulino 2017! Só vou dizer uma coisa… Que delícia! Eis aqui um tinto brasileiro levíssimo e refrescante, perfeito para enfrentar os próximos meses de calor intenso que vem por aí…
Vertical de Vega Sicilia 1987-2007! Os rótulos mudaram um pouco ao longo dos últimos 20 anos, mas a qualidade do vinho permanece imutável… Importado pela Mistral e Grand Cru.
Atelier Tormentas Rosa Evanescente Pinot Noir 2016! Que delícia, que delicadeza! Se esvai na taça e no palato quase sem sentir… Pena que só foram feitas 280 garrafas!
DRC time! Grands Echezeaux, Richebourg e La Tâche 1995… Desses não preciso dizer mais nada.
Penfolds Grange 1997! Esse fabuloso Shiraz australiano realmente merece figurar entre os melhores vinhos do mundo… Dotado de grande intensidade e complexidade, mas sem deixar de lado a vital importância do frescor! Grande!!! Importado pela Interfood.

Que 2018 nos traga vinhos tão emocionantes e especiais quanto esses… Santé!!!

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10 COMENTÁRIOS

  • Consuelo Ribas - 12 de dezembro de 2017 às 03:19

    Parabens! Excelente publicação e que venham os divinos vinhos em 2018.
    Feliz porque ja degustei : De Martino, Chateauneff-du-Pape, Filipa Pato 3B e Re Velado Bodegas RE.
    Atenciosamente
    Consuelo

    • Luiz Cola

      Luiz Cola - 12 de dezembro de 2017 às 07:32

      Olá Consuelo,
      Fico grato pela apreciação da lista. Que em 2018 todos nós tenhamos a oportunidade de apreciar bons vinhos!
      Abs,
      Luiz Cola

  • EDUARDO DO AMARAL - 18 de dezembro de 2017 às 10:39

    Parabéns Luiz e que o nosso maravilhoso Deus, lhe dê cada vez mais sabedoria para nos orientar quanto aos produtos, no qual apreciamos muito. Sou novato em degustar vinhos, mas estou me apaixonando aos poucos. Um grande abraço.

    • Luiz Cola

      Luiz Cola - 18 de dezembro de 2017 às 15:00

      Olá Eduardo,
      Obrigado! Espero que tenha muitos bons momentos regados por vinhos de qualidade e amigos ao redor.
      Abs,
      Luiz Cola

  • Kaiser - 19 de dezembro de 2017 às 11:57

    Luiz,
    Parabéns pela sua relação e seu conhecimento!
    Abs

  • Diogo - 19 de dezembro de 2017 às 16:34

    Acompanho você há algum tempo e fiquei surpreso com a quantidade de borgonha nos “melhores de 2017”. É o paladar do enófilo alterando ou mera impressão?

    Parabéns pelo blog.

    • Luiz Cola

      Luiz Cola - 20 de dezembro de 2017 às 07:21

      Olá Diogo,
      Não escondo minha predileção pessoal por vinhos mais refinados e elegantes como os Borgonhas, ou complexos e intensos como os Barolos e Riojas, por exemplo.
      Independente disso, a maior ou menor presença de determinada região depende muito do que passa pelas minhas taças durante o ano. Nesse, os Borgonhas estiveram em destaque (inclusive porque estive na região durante o mês de junho).
      É claro que certos estilos de vinho não me atraem muito depois de 25 anos degustando e refinando o paladar. Vinhos pesados, alcoólicos e com pouca acidez, por exemplo, prefiro evitar (ainda que já tenha gostado deles).
      De certo modo, é como você disse “é o paladar do enófilo”…
      Abs,
      Luiz Cola

  • FABIO FAUSTO DE VASCONCELOS - 9 de janeiro de 2018 às 05:56

    Vc tá maluco!!!!!! Que lista é essa, caro Cola?!?!!!!!!!
    Simplesmente, sensacional!
    A educação me obriga a lhe dar os parabéns. Mas lá no fundo, o que há no meu coração, talvez seja aquela velha inveja carcomida… (Ou, “car’bebida'”, talvez…) Rsrsrsrsrs
    Brincadeiras a parte, maravilhosa lista! Obrigado pela publicação e tenha um belo 2018!

    • Luiz Cola

      Luiz Cola - 9 de janeiro de 2018 às 09:55

      Olá Fábio,
      Maluco? Só pelos vinhos… rsrs.
      Na medida do possível, corro atrás de vinhos interessantes e conto com a ajuda de outros amigos e confrades para ter acesso a eles.
      Espero que 2018 seja pródigo em ótimos vinhos (para você e pra mim!).
      Abs,
      Luiz Cola

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