Painel de Degustação: Vertical de Champagne Dom Pérignon 1969-2004!

  • Luiz Cola
  • 16/jan/2018
  • 2 Comentários

Elaborado pela primeira vez há quase 100 anos (1921), o champagne Dom Pérignon é a “joia da coroa” da tradicional maison Moet & Chandon. Produzido apenas em anos “vintage”, aqueles cuja qualidade das uvas é considerada excepcional, o Dom Pérignon utiliza apenas as duas principais uvas da Champagne (Pinot Noir e Chardonnay) no seu assemblage, em proporções bastante próximas. Ao longo desse quase um século de existência, somente 42 safras ofereceram qualidade digna de sua produção (2009 é a mais recente).

Apesar de usar somente as melhores uvas oriundas de 17 vinhedos Grands Crus da Champagne, o Dom Pérignon não pode ostentar o status de Champagne Grand Cru por um pequeno detalhe: ele também usa uvas do vinhedo original da Abadia de Hautvillers (Premier Cru), uma justa homenagem ao monge beneditino que lhe empresta o nome (Dom Pérignon) e que, séculos atrás, viveu e trabalhou no processo de aperfeiçoamento do mais nobre dos espumantes.

Além da versão Vintage Brut tradicional, que evolui em contato com as borras por um período médio de oito anos, o Dom Pérignon também é elaborado em safras especiais na versão Rosé (desde 1959). Existem ainda edições mais raras e sofisticadas dele que chegam a amadurecer por 25 anos ou mais. Esse é o caso da versão Oenothèque, cujas primeiras garrafas vieram também é da mítica safra 1959 (a versão Rosé surgiu apenas em 1982), e as edições Plenitude, mais conhecidas pelas siglas P2 e P3.

Feita essa breve introdução do champagne Dom Pérignon, vamos à prova de algumas das melhores safras dos últimos 50 anos, uma degustação vertical que reuniu seis champagnes (2004, 2002, 1996, 1990, 1985 e 1969), provados na sequência do mais jovem para o mais evoluído.

Dom Pérignon 2004: mesmo estando bem jovem ainda para um champagne desse nível, ele já mostrou bastante complexo e cremoso no paladar, mas no olfato, ainda estava dominado pelos aromas cítricos (limão siciliano) e de fermentação (brioche). Elegante e equilibrada, essa 2004 já tem um desempenho digno da marca que ostenta. Um belo champagne, com muita vida pela frente!

Dom Pérignon 2002: vindo de uma safra cuja qualidade é notória, esse 2002 consegue dar alguns passos adiante em relação ao 2004. O delicioso traço amendoado que senti falta na taça anterior, apareceu aqui em grande profusão, seguido de notas de frutas amarelas (pêssego, nectarina e damasco) e de um discreto (ainda) toque de mel. Na boca, a untuosidade e o equilíbrio esperados se confirmaram, persistindo longamente no palato. Um champagne clássico, mas que ainda é um adolescente de 15 anos, com muita coisa para oferecer ainda.

Dom Pérignon 1996: quaisquer adjetivos parecem ser insuficientes para demonstrar o quão superlativo esse champagne estava. Ele foi capaz de se exibir em camadas gustativas e aromáticas que cobriam quase todo espectro de sabores e aromas esperado num grande champagne. Estava tudo lá: os aromas cítricos, de pão torrado, de amêndoas e de defumados. Uma cremosidade quase “mastigável” que não passou por cima de um frescor intenso e vívido. Sensacional! No ponto para absorvido em todas as suas nuances! Um dos melhores que já pude degustar!

Dom Pérignon 1990: aqui as coisas começaram a tomar uma nova forma, com o frescor cedendo espaço para a maturidade. O champagne ganha uma opulência ainda maior que nas safras mais jovens, com camadas de frutas maduras e um traço amendoado ainda mais profundo. Se nas taças anteriores os goles eram maiores, aqui valeu a pena ser mais parcimonioso e desfrutar em pequenos goles a riqueza gustativa oferecida por esse 1990. Excelente!

Dom Pérignon 1985: quando eu imaginava que já tinha visto tudo em termos de complexidade no champagne anterior, vem esse daqui e me leva ainda mais para o fundo. A encantadora coloração alaranjada me deixou preocupado de início, mas os aromas e a prova trouxeram o devido alívio. Que textura bacana tinha esse champagne! Mesmo com uma quantidade menor de gás que seus antecessores, ainda tinha uma bela acidez para oferecer. Surpreendente!

Dom Pérignon 1969: esse daqui entrou no painel sem nenhuma pretensão, apenas desejávamos descobrir se ainda podia oferecer algum prazer. Por conta de uma rolha em frangalhos, foi preciso decantar o o champagne para retirar alguns resíduos e voilá! Que surpresa boa, do alto de seus 45 anos de vida, esse Dom Pérignon fez a alegria terminal da degustação. Uma mescla aromas exóticos de figos, nozes e defumados deu o tom para recebermos no paladar um caldo rico e untuoso. Alguns degustadores chegaram a associá-lo com um cognac com pouco álcool… Enfim, um belo exemplar desse grande champagne para encerrar uma degustação memorável! Cheers!!!

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2 COMENTÁRIOS

  • Fabio - 17 de janeiro de 2018 às 08:28

    Bonito ver pelos pedacinhos de fotos das taças, a evolução da cor de cada safra na degustação. Me parece perfeito o adjetivo escolhido: “memorável”!!!
    Saúde, Cola!

    • Luiz Cola

      Luiz Cola - 17 de janeiro de 2018 às 09:59

      Olá Fábio, a degustação realmente foi sensacional e inesquecível!
      Faço questão de colocar as fotos dos vinhos nesses painéis, justamente para transmitir a cores reais que eles apresentam diante do passar do tempo.
      Santé!
      Luiz Cola

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