Painel de Degustação: 4 Grands Crus da safra 2011 do Domaine de la Romanée-Conti!

  • Luiz Cola
  • 26/mar/2018
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O Domaine de la Romanée-Conti, ou simplesmente DRC, para os mais familiarizados com esse mítico produtor da Borgonha, elabora oito vinhos de nível Grand Cru, todos de grande prestígio, sete deles tintos e apenas um branco. A maioria (seis) deriva das vinhas plantadas em Vosne-Romanée e Flagey-Échezeaux, na Côte de Nuits, e os demais da Côte de Beaune. Além desses, existe ainda um vinho de nível 1er Cru, menos conhecido do público, produzido em Vosne-Romanée.

Degustar qualquer um desses Grands Crus (Romanée-Conti, Romanée-St-Vivant, La Tâche, Richebourg, Grands-Échézeaux, Échezeaux, Corton ou Montrachet, considerado o melhor branco do mundo) é um dos maiores desejos de qualquer enófilo, especialmente aqueles familiarizados com as complexas nuances de aroma e sabor que os grandes vinhos da região podem proporcionar. Ter a oportunidade de beber quatro deles numa única ocasião, esse é um privilégio ainda maior!

Diante da rara oportunidade de conseguir adquirir quatro rótulos direto do produtor em condições razoáveis, especialmente considerando o patamar estratosférico de seus preços, reuni um grupo de enófilos para apreciá-los. Os rótulos escolhidos foram o Romanée-St-Vivant, o La Tâche, o Richebourg e o Grands-Échézeaux, todos da safra 2011.

A safra 2011 foi bastante desafiadora e atípica na maior parte da Borgonha, mas os melhores e mais experientes produtores sempre conseguem tirar ” vinho de pedra” e elaborar vinhos de qualidade. De um modo geral, a diferença mais marcante se deve ao fato deles já estarem mais acessíveis para consumo em sua juventude e, consequentemente, com menor capacidade para longa guarda.

Dito isso, vamos ao que interessa, os vinhos! Baseado nas caraterísticas gerais deles, escolhi a seguinte ordem de degustação: Grands-Échézeaux, Richebourg, Romanée-St-Vivant e La Tâche.

Grands-Échézeaux 2011 – Área do vinhedo: 3,5263 hectares – Garrafas produzidas: 11.071

Para minha satisfação, ele brilhou do início ao fim da degustação, oferecendo com uma fruta linda e delicada, com taninos perfeitamente maduros, sem sacrificar em nada a acidez sob medida para equilibrar o conjunto no paladar. Um daqueles vinhos que qualquer pessoa beberia quase sem perceber, até esvaziar a garrafa. Está pronto, mas certamente vai ganhar um pouco mais com a guarda. Excelente em todos os quesitos e o preferido da maioria.

Richebourg 2011– Área do vinhedo: 3,5110 hectares – Garrafas produzidas: 11.273

Ele estava um pouco mais austero que o anterior, com aromas discretos de fruta e notas aromáticas de sous bois bem mais pronunciadas. Paladar elegante e macio, com um corpo mediano e ótimo peso e persistência no final de boca. Um vinho irretocável, começando a desabrochar por inteiro.

Mapa dos vinhedos de Vosne-Romanée e Flagey-Échezeaux, de onde saem a maioria dos vinhos do DRC.

Romanée-Saint-Vivant 2011 – Área: 5,2858 hectares – Garrafas produzidas: 13.971

O meu predileto nesse painel! Muito rico aromaticamente, dotado de um paladar seivoso e bastante fresco, mas já trazendo um prenúncio de sua complexidade. Conseguiu aliar a esperada elegância de seus taninos com uma alegre acidez que trouxe construiu um conjunto delicioso!

La Tâche 2011 – Área: 6,0620 hectares – Garrafas produzidas: 18.196

Esse foi o que mais tempo precisou para se mostrar, permanecendo bem fechado durante a primeira hora. Só revelou-se seus encantos, de maneira tímida, após longo tempo nas taças. Dotado de notas terrosas, de um leve traço de couro, exibiu uma vigorosa estrutura tânica aliada a uma fina acidez. Esse definitivamente foi aberto cedo demais e deve evoluir maravilhosamente por uma década ou mais.

Em resumo, esses quatro vinhos trazem a marca inquestionável da qualidade excepcional dos vinhos elaborados pelo Domaine de la Romanée-Conti, mesmo diante de uma safra bastante complicada de ser trabalhada como foi 2011. São vinhos que acima de seu status e preço, possuem a essência qualitativa de seu terroir privilegiado, justificando que a experiência de bebê-los permaneça eternamente viva em nossas memórias. Santé!

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