Volta ao mundo através do vinho: a Borgonha!

  • Luiz Cola
  • 25/maio/2018
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Considerada por uma imensa legião de enófilos como a mais espetacular e complexa região produtora de vinhos do mundo, a Borgonha é um destino praticamente obrigatório para quem deseja entender melhor o conceito de terroir, tão caro aos vinicultores franceses.

Conhecer de perto os famosos vinhedos da Côte d’Or que se estendem por um trecho de cerca de 50 km no sentido norte-sul, é uma experiência única para os apaixonados pelo vinho. Esse abençoado pedacinho de terra nos oferece séculos de desenvolvimento de sua rica história vínica.

Dividida entre Côte de Nuits (ao norte) e Côte de Beaune (ao sul), a Côte d’Or é o “coração” de toda a Borgonha. Ela abriga praticamente todos os melhores vinhedos da região, incluindo os 33 preciosos Grands Crus (vinhedos que representam menos de 2% de toda área plantada) e mais algumas centenas de vinhedos classificados como Premier Cru.

A melhor forma de visitar a Borgonha é hospedando-se na pitoresca cidade de Beaune, uma espécie de capital da Côte d’Or (ainda que Dijon, 50 km ao norte, seja muito maior). Começando a viagem em Paris ou partindo direto do aeroporto Charles de Gaulle, são necessárias cerca de três horas de viagem, de carro ou trem para chegar até lá.

Château du Clos de Vougeot e seu majestoso vinhedo Grand Cru

Recomendo fazer essa viagem de carro, pois a flexibilidade para percorrer as vilas e seus vinhedos e será muito mais ampla. Ainda que se possa visitar a Borgonha em qualquer estação do ano, cada uma com sua configuração de luzes e cores, considero o final do verão, antes da colheita, a melhor época de todas! Nesse período poderemos ver as vinhas em seu esplendor, carregadas de frutos maduros, prestes a serem colhidos.

Romanée-Conti: do fruto dessas vinhas de Pinot Noir sai o vinho mais desejado do mundo!

Outra maneira muito interessante e bastante popular de passear pela região é alugar uma bicicleta. As distâncias entre as vilas das Côte d’Or são bem curtas e as estradas são seguras e, em grande parte, planas.

Para percorrer toda a Côte de Nuits, partindo de Beaune até Gevrey-Chambertin, são aproximadamente 30 km no sentido norte através da Route des Grands Crus (D974). Para o sul, percorre-se a Côte de Beaune até Puligny-Montrchet em pouco mais de 20 km da mesma estrada.

Vinhedos Premier Cru plantados com Chardonnay em Puligny-Montrachet

No meio de qualquer um desses percursos, além dos belos vinhedos, existe uma infinidade de vinícolas ou domaines (ainda que poucas tenham estrutura para receber visitantes), lojas de vinhos e ótimos bistrôs para saciar a fome e a sede dos turistas. Como os enófilos bem sabem, não há nada que se compare com a experiência de degustar um vinho no mesmo lugar onde ele “nasceu” e na companhia dos pratos da gastronomia regional.

A Côte de Nuits é prodiga nos tintos elaborados com Pinot Noir nos arredores de vilas como Nuits St-Georges, Vosne-Romanée, Vougeot, Chambolle-Musigny, Morey-St-Denis ou Gevrey-Chambertin. Claro que dentre todas essas paradas, duas são obrigatórias: o Château du Clos de Vougeot e o vinhedo Romanée-Conti, em Vosné-Romanée.

Do lado da Côte de Beaune, onde encontram-se os melhores brancos da Borgonha e outros tintos soberbos, especialmente nas vilas de Pommard e Volnay. Nessa parte da Côte d’Or, não deixe de passear pela agradável vila de Mersault, com uma visão privilegiada dos vinhedos, e dar uma parada em frente ao vinhedo Montrachet e seus irmãos de qualidade Grand Cru, de onde saem, para muitos, os melhores vinhos brancos do mundo!

Bem, as maravilhas vínicas e turísticas da Borgonha vão muito além disso, mas o que já foi dito é um bom começo. Se você aprecia bons vinhos e locais carregados de história, cultura e tradição, então a Borgonha é o destino perfeito para sua próxima viagem!

Sites úteis para maiores informações turísticas sobre a Borgonha:

www.bourgogne-tourisme.com (site oficial de turismo da Borgonha)

www.beaune-borgonha.com (site de turismo de Beaune com informações em português)

Como chegar:

De carro: via Paris (A6) e via aeroporto Charles de Gaulle (A5/A6)

De trem: pesquise a melhor rota no site da SNCF.

Vinícolas para visitar:

Como eu mencionei antes, poucos domaines da Borgonha tem estrutura enoturistíca comparável com outros destinos famosos nesse segmento. O Domaine Bouchard Père et Fils, situado bem no centro de Beaune, ocupa a antiga fortaleza da cidade e é o ponto de partida ideal para quem não conhece nada da região. Do ponto de vista didático, essa é uma das melhores visitas disponíveis por lá. Acesse o site da vinícola e agende a sua quando passar por lá.

 

Para visitas mais específicas, o melhor jeito é contatar o importador brasileiro (se houver), consultar o site do produtor ou contar com o serviço de guias especializados na região.

Onde comer:

Caveau des Arches (Beaune): instalado no subsolo de uma casa, possui ampla carta de vinhos e atraentes menus de gastronomia regional em várias faixas de preço. www.caveau-des-arches.com

Loiseau des Vignes

Loiseau des Vignes (Beaune): situado no coração da centre-ville, esse restaurante com uma estrela Michelin fica bem ao lado do Le Cep, um dos mais requintados e tradicionais hotéis de Beaune. Além de ótima gastronomia, ele possui a maior oferta de vinhos em taça da cidade, com mais de 70 rótulos disponíveis em máquinas tipo Enomatic. www.bernard-loiseau.com/fr/maisons/loiseau-des-vignes/beaune-loiseau-des-vignes.html

Ed’Em (Chassagne-Montrachet): escondido numa rua sem saída da pequena vila de Chassagne-Montrachet, está um dos melhores restaurantes onde já tive o prazer de fazer uma refeição. Um ambiente intimista e quase minimalista, onde a arte de servir e comer bem é realizada com maestria. Um espetáculo gastronômico do início ao fim, Imperdível! Endereço: Impasse des Chenevottes, 4 – Chassagne-Montrachet.

Lameloise (Chagny-en-Bourgogne): para quem estiver em busca de uma experiência especial num restaurante 3* Michelin. www.lameloise.fr

Onde beber e comprar:

La Dilletante: Rue du Faubourg-Bretonnière, 11

Caves Madeleine: Rue du Faubourg Madeleine, 8

Maison du Colombier: www.maisonducolombier.com (apenas para beber)

Mes Bourgognes: http://mesbourgognesbeaune.com (apenas para comprar)

Vinhos para degustar e comprar (no Brasil):

Taupenot-Merme Chambolle-Musigny 1er Cru “La Combe D’Orveau” 2015 (Cellar – R$745,00)
Domaine Ramonet Chassagne Montrachet 1er Cru Morgeot Rouge 2014 (Juss Milessimes – R$360,00)
Domaine Jean-Claude Rateau Beaune 1er Cru Les Reversées 2014 (Delacroix – R$298,00)
Domaine Fanny Sabre Bourgogne Rouge 2015 (Wines4U – R$119,00)

 

Jean-Marc Boillot Puligny-Montrachet 1er Cru 2015 (Cellar – R$420,00)

*Texto publicado originalmente na coluna “Vinhos e mais vinhos” no Caderno AG do Jornal A Gazeta (20/05/18).

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