Painel de Degustação: Faustino I Gran Reserva em vertical com 8 safras (1964-2004)!

  • Luiz Cola
  • 24/jul/2018
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As degustações verticais, aquelas onde se degustam várias safras de um mesmo vinho, sempre se apresentam como experiências muito enriquecedoras para qualquer enófilo. Quando uma dessas verticais abrange um longo período de tempo (40 anos nesse caso), capaz de demonstrar toda a capacidade de evolução de um vinho, ela se transforma em uma experiência única e inesquecível. Essa vertical de Faustino I Gran Reserva, reunindo 8 das melhores safras entre 1964 e 2004 desse clássico tinto da Rioja, definitivamente foi uma dessas ocasiões.

Imagine então poder repetir essa mesma experiência alguns anos à frente? Passados três anos da degustação vertical mencionada, retornamos ao mesmo conjunto de safras para uma nova análise dos vinhos. Como esperado, alguns vinhos apresentaram ligeiras diferenças sensoriais (especialmente o 1987, que estava meio oxidado na prova anterior), mas mantiveram o mesmo elevado nível de qualidade da degustação de 2015.

O grande desafio em degustações verticais que abrangem um período de tempo tão longo quanto esse (entre 14 e 54 anos de evolução) é conseguir garrafas em bom estado de conservação e, preferencialmente homogêneo entre elas. Nesse caso, isso foi possível graças a origem das garrafas: todas vindas diretamente da adega da Bodegas Faustino e do mesmo lote da prova passada.

As safras escolhidas para essa vertical (1964, 1970, 1981, 1987, 1991, 1994, 2001 e 2004) representam o que se fez de melhor na Rioja ao longo dessas quatro décadas e são perfeitas para ilustrar as sutis mudanças na vinificação desses vinhos ao longo do tempo: do tempo de passagem nos barris de carvalho e de sua composição, até a mescla de castas usadas nos vinhos.

O primeiro grupo de Faustinos (1964-1987) exibiu o perfil tradicional dos tintos Gran Reserva da Rioja, dominados pela coloração vermelho atijolado, com aromas delicados de evolução e uma ótima acidez na boca. Os taninos bem polidos e uma presença sutil de madeira velha deixaram esses vinhos muito prazerosos. Assim como na prova de 2015, o destaque entre as safras mais evoluídas ficou para o 1970, um exemplar perfeito para representar a tipicidade de um Rioja Gran Reserva. O 1964 manteve o mesmo refinamento e merece um crédito especial por sua incrível longevidade, certamente em virtude da excepcional qualidade da safra. O 1987, que apresentou um traço aromático meio estranho e desagradável na prova anterior, estava em perfeitas condições dessa vez, no mesmo nível do 1981. Ambos muito agradáveis, mas ligeiramente mais discretos que seus irmão mais evoluídos.

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Faustinos I Gran Reserva 1964, 1970, 1981 e 1987 (observem a redução natural do nível dos vinhos nas garrafas)

Faustino I GR 1964 – Composição: 80% Tempranillo, 10% Graciano e 10% Mazuelo. Amadurecimento: 30 meses em barricas usadas de carvalho americano.

Faustino I GR 1970 – Composição: 85% Tempranillo, 10% Graciano e 5% Mazuelo. Amadurecimento: 30 meses em barricas usadas de carvalho americano.

Faustino I GR 1981 – Composição: 85% Tempranillo, 7% Graciano e 8% Mazuelo. Amadurecimento: 30 meses em barricas usadas de carvalho americano.

Faustino I GR 1987 – Composição: 85% Tempranillo, 10% Graciano e 5% Mazuelo. Amadurecimento: 30 meses em barricas usadas de carvalho americano.

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Faustinos I Gran Reserva 1991, 1994, 2001 e 2004
O segundo grupo de Faustinos (1991-2004) mostrou-se mais aproximado em termos qualitativos e sensoriais. O 2004 já começa a exibir os predicados da aclamada safra na Rioja e tem um belo futuro pela frente (duro é ter a paciência necessária…). O 2001 (eleito o melhor vinho do ano de 2013 pela Decanter Magazine), continua bem jovem (mas agradabilíssimo de beber já) e vai evoluir para melhor dentro de uma década ou duas. Mas os destaques de todo o painel foram mesmo o 1991 (que já havia brilhado na prova de 2015) e o 1994! Parece mesmo que a curva de evolução desses vinhos atinge o ápice entre os 25 a 30 anos de guarda. Sensacionais!

Faustino I GR 1991 – Composição: 85% Tempranillo, 10% Graciano e 5% Mazuelo. Amadurecimento: 25 meses em barricas usadas de carvalho americano.

Faustino I GR 1994 – Composição: 85% Tempranillo, 10% graciano e 5% mazuelo. Amadurecimento: 25 meses em barricas usadas de carvalho americano.

Faustino I GR 2001 – Composição: 85% Tempranillo, 10% Graciano e 5% Mazuelo. Amadurecimento: 28 meses em barricas de carvalho americano e americano.

Faustino I GR 2004 – Composição: 92% Tempranillo e 8% Graciano. Amadurecimento: 11 meses em barricas usadas de carvalho americano e 14 meses em barricas de carvalho francês novo.

A produção anual de Faustino I Gran Reserva varia de 50 a 300 mil garrafas, dependendo das condições climáticas e qualidade da safra, chegando a representar mais de 1/4 do total de Gran Reservas elaborados na Rioja. Um dos aspectos mais interessantes que podemos observar nesses Gran Reservas da Bodegas Faustino é a elevada qualidade média que eles possuem diante dos preços bastante justos pelos quais são vendidos: entre 20 e 25 euros na Europa, e na faixa dos R$160 a R$200 aqui no Brasil (safra 2005). Vinhos que valem cada centavo, seja para beber agora, seja para manter na adega por longos anos… Recomendo!

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