Painel de Degustação: Vertical de Clos des Lambrays Grand Cru 1998-2010!

  • Luiz Cola
  • 14/set/2018
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Quando as primeiras denominações de origem foram promulgadas na Borgonha (em 1936), o magnífico Clos des Lambrays, situado na área mais nobre de Morey-St-Denis, foi classificado apenas como um vinhedo de nível Premier Cru, mesmo que os especialistas sempre o tivessem considerado no mesmo nível qualitativo dos Grands Crus da região.

Seguindo uma trajetória semelhante a do Château Mouton-Rothschild, que só foi elevado a categoria 1er Grand Cru Classé do Médoc em 1973, o Clos de Lambrays só foi alçado ao nível máximo de qualidade na Borgonha em 1981, depois de 50 anos de empenho dos proprietários em obter o reconhecimento oficial do Instituto Nacional de Apelações de Origem (INAO), tornando-se o 33º membro da elite dos vinhos da Borgonha.

Clos de Lambrays visto do alto do vinhedo (ao fundo, Morey-St-Denis)

Constituído por 8,66 hectares, o Clos des Lambrays existe como vinhedo desde 1365, sendo composto por três parcelas de vinhas conhecidas como Les Larrets, Les Bouchots e Le Meix-Rentier. Cada uma delas contribui à sua maneira para a mistura final: o Les Larrets, com sua encosta íngreme e solo pobre, confere elegância e finesse ao Clos des Lambrays. O Le Meix-Rentier, situado na parte mais plana e funda da colina, compõe a base do vinho. Por sua vez, a parcela Les Bouchots, ao norte do muro, bem no alto da encosta, onde as uvas são as últimas a serem colhidas, enriquece o mosto com uma faceta mais vigorosa de suas frutas bem maduras. Essa combinação, respeitando o caráter de cada safra, prevalece e serve de referência para os todos os vinicultores que passaram por lá ao longo de sua existência.

Pórtico de entrada do Clos de Lambrays

 

Essa degustação vertical de seis safras (1998, 2003, 2007, 2008, 2009 e 2010) demonstrou nitidamente o caráter austero, sedoso e profundo dos vinhos do Clos des Lambrays, justificando plenamente seu status de Grand Cru. Apesar de seu grande equilíbrio no paladar, cada garrafa entregou um retrato bastante fiel das características dominantes de cada safra.

Anos mais quentes como 2003, 2009 e 2010 transpareceram nitidamente sua fruta mais madura e carnuda, deixando para as safras 1998 e 2007, anos mais frescos e precoces, uma maior vivacidade e frescor da fruta (e minhas prediletas). Para 2008, uma safra pouco valorizada, mas de grande qualidade, ficou o papel de fiel da balança, exibindo o estilo mais clássico e elegante dos grandes vinhos da Borgonha. Uma belíssima experiência!

A pequena parcela do Clos des Lambrays pertencente aos Taupenot-Merme (limitada pela rua e pela árvore ao fundo)

Antes de terminar, vale a pena mencionar mais um fato curioso sobre o Clos des Lambrays. Ao contrário de seu vizinho Clos de Tart, também um vinhedo Grand Cru, o Clos des Lambrays não é um vinhedo “Monopole”, ou seja, que pertence a um único proprietário. O grupo LVMH pagou uma pequena fortuna pela propriedade em 2014, após a morte de seu antigo dono, mas por uma questão de míseros 432 m2, mais ou menos o tamanho de um lote urbano padrão, ele não tem o direito de inserir tal chancela de exclusividade no seu vinho.

Ao que parece, a LVMH ofereceu uma absurda quantia de dinheiro pela posse dessa pequenina área, mas a vinícola Taupenot-Merme, cuja sede fica bem ao lado desse vinhedo, não se interessou pela oferta. Eles produzem cerca de 250 garrafas por ano de seu próprio Clos de Lambrays, cujo valor de venda da produção não pagaria o valor oferecido por décadas. O apreço pela terra e pelas raízes da família falaram mais alto que a grana… Assim é a Borgonha!

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