Adegas climatizadas: um guia prático para montar a sua!

  • Luiz Cola
  • 27/nov/2018
  • 4 Comentários

As adegas climatizadas podem parecer apenas um espaço extravagante e supérfluo numa residência, mas aqueles que realmente apreciam bons vinhos sabem que elas são um “luxo” necessário para quem deseja alcançar a melhor experiência de degustação possível.

Se considerarmos verdadeira a expressão que diz “o vinho é uma bebida viva”, fica mais fácil compreender a importância de uma adega climatizada. Os vinhos de qualidade superior precisam amadurecer corretamente antes de oferecer toda sua expressão. Esse tempo de guarda pode se estender por alguns anos ou até décadas, requerendo que as garrafas sejam mantidas em condições ideais de armazenamento até o momento do consumo.

Conforme o espaço disponível, a quantidade de garrafas que se pretenda armazenar e o tamanho do investimento financeiro em vinhos, as adegas climatizadas podem ter a forma de um eletrodoméstico similar a uma geladeira (cuja capacidade oscila entre 25 e 200 garrafas) ou ocupar um cômodo inteiro da residência.

Para quem pretende guardar uma quantidade superior a 300 garrafas (um número relativamente rápido de ser alcançado…), a construção de uma adega climatizada torna uma necessidade, especialmente por conta de nossas condições climáticas, cuja temperatura ambiente costuma ficar acima dos 25°C e a umidade do ar passa dos 70% a maior parte do ano.

Em virtude disso, a climatização da adega é fundamental para conservar a “saúde” dos vinhos, garantindo que aspectos como temperatura e umidade controlada, presença mínima de luz e ausência de vibrações e odores fortes estejam contemplados no ambiente onde iremos mantê-los.

Veja a seguir os principais aspectos a serem considerados para construir e manter uma adega climatizada:

Temperatura
É necessário manter o ambiente da adega dentro de uma faixa de temperatura bastante estreita, oscilando entre 12 e 16°C, ideal para garantir o lento amadurecimento do vinho contido nas garrafas.
Mesmo em regiões de montanha (como as que temos aqui no ES), a única forma segura de estabilizar a temperatura das adegas é através de equipamentos de refrigeração próprios para esse fim (os aparelhos domésticos do tipo “Split” não são recomendados!).

Umidade
O controle do teor de umidade do ambiente também é muito importante: se for muito baixo, pode ressecar as rolhas e possibilitar a entrada de ar na garrafa (estragando o vinho pelo contato com o oxigênio). Se for muito alto, vai causar danos aos rótulos, tornando-os até mesmo ilegíveis pelo mofo e pela água. O ideal é manter o ambiente entre 65 e 70% de umidade.

Iluminação
Quanto menos melhor! A luz utilizada no interior da adega deve ser a menor possível, suficiente apenas para permitir a localização e manipulação das garrafas dentro dela. Mesmo uma fonte de luz natural deve ser evitada, pois ela também é bastante prejudicial, especialmente aos brancos e espumantes. Não é por acaso que a maioria dos vinhos de guarda é acondicionada em garrafas de vidro verde ou marrom escuro.

O uso de paredes envidraçadas, mesmo as de vidro duplo, deve ser evitado ou utilizado com bastante parcimônia. É perfeitamente compreensível o desejo dos apreciadores de querer expor o interior de sua adega aos convidados, mas isso deve ser feito com todo cuidado, sem expor em demasia seus vinhos diretamente a luz. A radiação emitida por ela pode alterar e comprometer a qualidade dos vinhos, prejudicando sua cor, aroma e sabor.

Vibrações e odores
Quaisquer vibrações recorrentes devem ser evitadas, pois causam precipitação das partículas sólidas presentes no vinho, alterando sua limpidez e sabor. Por sua vez, odores fortes também devem fica longe da adega, pois são capazes de contaminar o ambiente interno e impregnar as rolhas e até mesmo os vinhos.

Por dentro da adega
O interior da adega deve ser revestido preferencialmente com materiais lisos, impermeáveis e não reflexivos (madeiras envernizadas, laminados melamínicos, cerâmicas, chapas metálicas, vidros, etc…).

Para o melhor aproveitamento dos espaços, o dimensionamento dos nichos deve seguir uma malha em torno de 10 x 10 cm (eixos) e uma profundidade entre 25 e 27 cm, capaz de comportar a maioria dos modelos de garrafas padrão (750 ml), mas que pode ser ajustado conforme o design e o material utilizado nas prateleiras. Cabe reservar também algum espaço para garrafas pequenas (375 ml) ou de grande formato (Magnum e Double Magnum).

A disposição das garrafas é importantíssima: o ideal é colocar as garrafas com rolha de cortiça na posição horizontal, porém, vinhos com vedação de rosca (screwcap) e espumantes devem ser acondicionados na posição vertical.

O investimento em uma adega climatizada é relativamente alto, mas seguramente bem menor que o de seu conteúdo. Por conta disso, é essencial que as condições desse ambiente sigam os parâmetros indicados acima. O risco de perder boas garrafas ou de vê-las amadurecidas precocemente é bastante alto se não observarmos essas diretrizes.

No fim das contas, o “luxo” de ter uma adega climatizada vai garantir ao proprietário bons momentos na companhia da família, dos amigos e de garrafas de vinho perfeitamente maduras e cheias de vida!

*Texto publicado originalmente na coluna “Vinhos e mais vinhos” na Revista AG do Jornal A Gazeta (25/11/18).

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4 COMENTÁRIOS

  • Aylton R Colnago - 27 de novembro de 2018 às 12:29

    Excelente matéria!! A orientação perfeita para se produzir uma adega. Parabéns!

  • MARCELO BARROS MELO - 27 de novembro de 2018 às 23:23

    Tenho uma art des caves de 3 ambientes, a tríade, de 2008, com espaço para 150 garrafas, recentemente revisada pelo técnico da empresa. Percebo que alguns rótulos ficam enrugados, outros com pontinhos pretos e outros permanecem perfeitos. Motivo para me preocupar? Abs

    • Luiz Cola

      Luiz Cola - 28 de novembro de 2018 às 08:29

      Olá Marcelo,
      Essa rugosidade e manchas pretas nos rótulos não causam nenhum problema ao vinho em si.
      Às vezes, a umidade interna da adega afeta alguns rótulos cujo papel e impressão são mais sensíveis a ela, mas, salvo pela questão estética, não há nada com que se preocupar.
      Abs,
      Luiz Cola

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