Degustação Vertical Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2006-2015: um exemplo de consistência e excelência no Douro!

  • Luiz Cola
  • 03/dez/2018
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A Quinta do Crasto figura há mais de duas décadas como uma das principais vinícolas do Douro e é certamente uma das que mais admiro na região, sempre oferecendo vinhos de ótima categoria e consistência. Dentre eles, o vinho Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas provavelmente é o melhor exemplo para ilustrar esses adjetivos.

Por mais de um século e até o início dos anos 1990, a produção da Quinta do Crasto era voltada exclusivamente para a elaboração de vinhos fortificados. A partir de então, aproveitando um momento de “renascimento e revolução” na região, a família Roquette tomou a (sábia) decisão de investir em vinhos de mesa.  Produzido desde 1994, o Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas logo obteve seu reconhecimento pela crítica especializada e pelo mercado de vinhos, tornando-se o rótulo de referência da vinícola.

Vista aérea da Quinta do Crasto

Na semana passada, tive mais uma grata oportunidade de experimentar algumas garrafas de Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas, mas dessa vez, de uma forma bastante especial: uma histórica degustação vertical de 10 safras (de 2006 a 2015) apresentadas por Tomás Roquette, um dos proprietários da vinícola.

Elaborado a partir de mix de uvas provenientes de mais de 25 castas diferentes, cuja idade média das vinhas chega aos 70 anos, e que originalmente eram utilizadas nos vinhos do Porto, o Reserva Vinhas Velhas se aproveita muito bem do baixo rendimento e grande concentração dessas uvas.

Amadurecido por um período médio de 16 a 18 meses em barricas de carvalho (majoritariamente francês), o vinho sempre se apresenta muito consistente e equilibrado na juventude, mas também denota uma excelente capacidade de evolução, apta a proporcionar o desenvolvimento de maior complexidade aromática e gustativa.

A Quinta do Crasto produz também duas versões ainda mais sofisticadas que o Reserva Vinhas Velhas na propriedade: a partir de uvas selecionadas de dois vinhedos muito antigos, ela engarrafa os rótulos “Maria Teresa” e “Vinha da Ponte”, mas o padrão de excelência para produzi-los é tão elevado, que eles só são lançados em anos realmente excepcionais. Nas safras “normais”, as uvas dessas vinhas quase centenárias integram o mix utilizado na elaboração do Reserva Vinhas Velhas.

Impressões de degustação:

Essa vertical corroborou plenamente a consistência qualitativa e capacidade de guarda/evolução já observada nesse vinho. Em safras mais discretas e evoluídas (2006, 2008 e 2009), o conjunto harmonioso e equilibrado se sobressai, tornando-os mais adequados com comida.

Em safras excepcionais como 2007 ou 2011, o vinho mostrou seu potencial por completo, com muita estrutura tânica, associada a uma acidez marcante. O 2007 já pareceu estar entrando em seu melhor momento, mas o 2011 tem longa estrada pela frente. Seria um privilégio prová-lo novamente dentro de uns 10 anos à frente.

As safras de 2012 e 2014, relativamente jovens ainda, ficaram num estágio intermediário de apreciação, com muita fruta madura dominando a cena, mas sem sobrepujar o desejado equilíbrio com sua acidez. As safras 2013 e 2015 poderiam seguir o mesmo roteiro, mas contam com uma exuberância muito maior, privilégio decorrente de safras mais destacadas.

A meu ver, o vinho que roubou a cena e conseguiu se sobressair entre seus pares foi o da safra 2010. Dotado das melhores qualidades de seus irmãos mais jovens ou maduros, ele apresentou uma suculência ímpar e textura superior a todos os outros, sem perder o frescor e a persistência. Creio que desde os vinhos de 2004, que já não provo há algum tempo, esse foi a melhor versão de Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas que já degustei (ainda que 2011 e 2015 figurem como sérios candidatos a esse posto dentro de alguns anos).

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