Aniversário: celebre com um grande vinho de sua safra!

  • Luiz Cola
  • 28/jan/2019
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Celebrar o aniversário com um vinho cuja safra coincide com nosso ano de nascimento pode até parecer um tipo de fetiche de enófilos, mas posso garantir que é uma deliciosa e surpreendente maneira de “viajar através do tempo”.

Degustar um vinho que amadureceu praticamente o mesmo tempo de nossas vidas é uma experiência sensorial única, capaz de nos transportar para um universo de aromas e sabores complexos e inebriantes. Esse é um privilégio digno de um momento de celebração que merece ser vivenciado por todos aqueles que apreciam um bom vinho.

Ainda nos dias de hoje, muitas famílias, especialmente as europeias, mantém a tradição de comprar e guardar uma caixa de um grande vinho da mesma safra de seus parentes nascidos recentemente. Quando esse jovem completar 18 anos, as primeiras garrafas começarão a ser abertas pela família para celebrar sua chegada à vida adulta.

Marques de Murrieta Castillo Ygay Gran Reserva Especial 1964 – Rioja – Espanha

Para aqueles que não tiveram a sorte de nascer numa família com essa tradição, o único jeito de vivenciar essa experiência é vasculhar no mercado, seja em adegas especializadas em vinhos antigos ou em leilões focados nesse segmento, relativamente comuns de serem encontrados no exterior.

Mesmo assim, as coisas não são tão simples quanto parecem: não basta que o vinho seja de nossa safra, é preciso que ele tenha qualidade para durar décadas e ser capaz de evoluir bem com a passagem dos anos, sem esquecer que essa guarda deve acontecer em condições ideais de armazenamento.

Por conta dessas condicionantes, a maior dificuldade não costuma ser tanto uma questão de longevidade dos vinhos, já que muitos deles podem amadurecer por 20, 30 anos ou mais sem perder sua qualidade. O grande problema reside em conseguir encontrar uma garrafa dessas em bom estado de conservação (e por um valor razoável).

Em geral, os vinhos fortificados (Portos e Madeiras, por exemplo) são as opções mais acessíveis em termos de preço, disponibilidade e durabilidade para aqueles que desejam apreciar um vinho de seu ano de nascimento.

Por fim, temos de levar em conta a qualidade de cada safra nas diversas regiões produtoras do mundo. As condições podem mudar drasticamente de um ano para outro, particularmente nos vinhos do Velho Mundo. Consultar uma tabela de safras pode ser a melhor forma de saber quais as regiões mais beneficiadas no ano em que nascemos.

Como podem ver, a deliciosa experiência de beber um vinho de nossa safra pode ficar meio complicada e, às vezes, dispendiosa (para vinhos mais antigos e de grandes safras). Para facilitar um pouco as coisas, listo a seguir as melhores regiões onde é possível encontrar grandes vinhos com esse perfil desde o ano de 1959 (uma deferência aos novos sexagenários de 2019) até 2001 (safra dos jovens que estão chegando a maioridade).

Quem sabe você não dá sorte de encontrar um grande vinho de sua safra por aí…

1959 – Bordeaux

1960 – Bordeaux

1961 – Bordeaux e Rhône

1962 – Ribera del Duero e Porto Vintage

1963 – Porto Vintage

1964 – Rioja e Piemonte

1965 – Sauternes e Moscatel de Setúbal

1966 – Porto Vintage

1967 – Piemonte

1968 – Rioja

1969 – Borgonha e Champagne

1970 – Rioja, Porto Vintage e Bordeaux

1971 – Piemonte e Mosel

1972 – Ribera del Duero e Borgonha

1973 – Rioja

1974 – Piemonte

1975 – Rioja, Bordeaux e Mosel

1976 – Champagne e Mosel

1977 – Porto Vintage

Domaine Grivelet Chambolle-Musigny Les Vignes du Chateau 1978 – Borgonha – França

1978 – Borgonha, Rhône, Piemonte e Califórnia

1979 – Champagne

1980 – Califórnia

1981 – Rioja

1982 – Bordeaux, Champagne e Rioja

1983 – Bordeaux, Porto Vintage e Alsácia

1984 – Califórnia

1985 – Bordeaux, Borgonha, Piemonte e Champagne

1986 – Bordeaux

1987 – Califórnia

Château Latour 1989 – Bordeaux – França

1988 – Champagne e Sauternes

1989 – Bordeaux, Rhône, Champagne e Piemonte

1990 – Bordeaux, Sauternes e Piemonte

1991 – Califórnia e Porto Vintage

1992 – Porto Vintage

1993 – Mosel e Piemonte

1994 – Rioja e Califórnia

1995 – Rioja, Champagne, Bordeaux e Califórnia

Gaja Barbaresco Sori San Lorenzo 1996 – Piemonte – Itália

1996 – Bordeaux, Borgonha, Champagne e Piemonte

1997 – Toscana, Piemonte e Califórnia

1998 – Rhône e South Australia

1999 – Toscana, Piemonte, Borgonha e Rhône

2000 – Bordeaux e Piemonte

2001 – Califórnia, Rioja e Rhône

*Texto publicado originalmente na coluna “Vinhos e mais vinhos” da revista AG de A Gazeta (27/01/19).

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