Cinema: Quando o vinho é o protagonista!

  • Luiz Cola
  • 28/fev/2019
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Talvez uma das maneiras mais lúdicas e interessantes de vivenciar o mundo dos vinhos seja através de um bom filme. Algumas vezes, eles aparecem como um simples “personagem” para contextualizar um determinado enredo, noutras, eles ganham ares de protagonista e podem roubar a cena dos atores de “carne e osso”.

Compartilho a seguir uma série de filmes, novos e antigos, onde os vinhos desempenham um papel relevante ou chegam a figurar como uma das estrelas da produção. Alguns desses títulos apresentam os vinhos através de sua faceta mais primordial: como alimento e fonte de subsistência para um grupo de pessoas. Já outros, oferecem uma visão mais romântica e hedonista dessa cultuada bebida que há milênios está arraigada na cultura ocidental.

Alguns dos filmes citados aqui podem ser encontrados em formato DVD, enquanto outros estão disponíveis apenas em plataformas de streaming ou em sites da internet. A partir do breve resumo apresentado, escolha os seus preferidos para assistir (ou, como eu mesmo já fiz, veja todos!). Boa diversão!

1. Interlúdio (Notorius – 1946): um clássico suspense de Alfred Hitchcock ambientado no Rio de Janeiro durante a Segunda Guerra Mundial. Nesse filme, o vinho é uma peça chave para a solução de um mistério. Estrelado pela dupla Cary Grant e Ingrid Bergman (foto de abertura do post)!

2. O Segredo de Santa Vitória (The Secret of Santa Vittoria – 1969): mesmo com seu caráter divertido e leve, o filme retrata a verdadeira ligação de um povo com seu vinho. Na pequenina vila italiana de Santa Vittoria tudo ia bem durante a guerra, até que os alemães resolvem entrar na cidade e requisitar sua maior riqueza: o vinho!

3. A Festa de Babette (Babette’ Feast – 1987): ainda não foi feito um filme que retrate tão bem o lado hedonista e poético do vinho e da gastronomia. Fugindo da França, uma famosa cozinheira se refugia numa humilde vila de pescadores na Dinamarca. Depois de anos trabalhando para duas irmãs solteiras e de hábitos frugais, ela descobre que ganhou muito dinheiro na loteria e decide fazer o “jantar do século” para as irmãs e alguns de seus felizardos convidados.

4. O Ano do Cometa (Year of the Comet – 1992): uma garrafa de vinho extremamente rara (engarrafada no ano do aparecimento do cometa Haley (1811) é descoberta e uma especialista é enviada para recuperá-la para ser vendida em leilão. No entanto, outras pessoas também querem a garrafa. Um simples resgate transforma-se numa perseguição internacional.

5. Caminhando nas Nuvens (A Walk In the Clouds – 1995): o jovem astro Keanu Reeves interpreta um vendedor de chocolate que se torna um noivo de “conveniência” de uma moça grávida que retorna de trem para a casa de sua família nos anos 1940. A propriedade da família é uma pequena vinícola na Califórnia onde imigrantes europeus fazem seus vinhos e seu sustento. O método usado para afastar a geada é o ponto alto do filme.

6. Sideways (2004): esse “road movie” retrata a paixão e a loucura que o vinho pode causar em alguém. Uma dupla de amigos resolve percorrer a região vinícola da Califórnia antes que um deles se case. Um sabe tudo de vinhos, o outro, nada…

7. Mondovino (2004): um documentário muito badalado e polêmico, dirigido pelo franco-brasileiro Jonathan Nossiter. Ele aborda a essência da viticultura e o respeito ao terroir, a tipicidade da região, e a luta contra a homogeneização do vinho. Ele oferece ao espectador um raro olhar dos bastidores da vida de importadores, comerciantes, escritores e produtores de vinho ao redor do mundo.

8. Um Bom Ano (A Good Year – 2006): aqui um executivo do mercado de ações londrino acaba descobrindo que existem algumas coisas que valem muito mais que o dinheiro (obviamente o vinho está entre elas…). Filmado na Provence e protagonizado por Russell Crowe e Marion Cotillard, o enredo nem precisava ser tão bom!

9. O Julgamento de Paris (Bottle Shock – 2008): filme que aborda de forma bem divertida um famoso episódio ligado ao vinho conhecido como o Desafio de Paris, em 1976. Um lojista de vinhos inglês organizou uma degustação às cegas de grandes vinhos franceses contra “obscuros” vinhos californianos, absolutamente desconhecidos dos degustadores europeus. O resultado final, surpreendentemente favorável aos vinhos americanos, chocou os degustadores franceses e repercutiu em todo o mundo. O vinho da Califórnia nunca mais foi o mesmo!

10. Tu Seras Mon Fils (2010): às vezes, quando o amor pelo vinho e pelos filhos não se harmonizam, as consequências podem atingir quem menos se espera. Excelente drama francês sobre a intricada relação entre homens e vinhos!

11. Um Ano na Borgonha (A Year in Burgundy – 2016): o filme acompanha a rotina de um ano inteiro (2011) de sete grandes produtores de vinho dessa famosa região francesa, das vinhas no repouso invernal, até o mágico momento da colheita. A mesma série documental produziu também A Year in Champagne (Um ano na Champagne) e mais recentemente, A Year in Port.

12. Sour Grapes (2017): mais um filme que retrata um acontecimento real: a descoberta e a prisão do maior falsificador de vinho da história! Ambientado no mundo dos super-ricos dos EUA e no auge do boom financeiro dos anos 2000, um jovem indonésio, Rudy Kurniawan, entra nesse circuito como um generoso anfitrião, expert em vinhos, que oferecia inúmeros vinhos raros oriundos de sua própria adega. Como numa versão moderna da hilária fábula “A roupa nova do Rei”, Kurniawan passou a vender uma enorme quantidade de vinhos valiosos e de safras raras para esses colecionadores americanos. Só havia um detalhe: todos (ou quase todos) eram falsos!

13. Back to Burgundy (2017): o mais recente dessa lista aborda uma difícil questão para muitas vinícolas pequenas, sobretudo na França, a sucessão no comando da propriedade e os direitos (e os custos) de herdar um pequeno pedaço de terra que pode valer alguns milhões de euros. Aqui, o valioso patrimônio de vinhedos precisa ser dividido entre três irmãos. Apesar de estarem quase “ricos”, os altos impostos cobrados pelo governo e as dívidas deixadas pelo pai, indicam que somente a venda daquele patrimônio familiar pode salvar as coisas. Uma escolha que, em outras situações e culturas, seria bem fácil de fazer.

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