De pintor de parede a artista do mundo

  • Renata Rasseli
  • 04/nov/2018
  • 4 Comentários

Autodidata. O artista Fredone Fone, que faz parte da coletiva “20/20”, em cartaz no Museu Vale, é conhecido por seus murais que se espalham por 11 países mundo afora. “Aprendi tudo com meu pai, que é pedreiro e pintor de parede”, diz o autodidata. FOTO: Mônica Zorzanelli

 

 

O artista visual Fredone Fone, 37, nasceu Frederico de Oliveira Franco, em Bom Jesus do Itabapoana, interior do Rio de Janeiro. Autodidata, a cria do bairro Serra Dourada, na Serra, para onde se mudou com a família quando tinha apenas 1 ano de idade, aprendeu a pintar com o seu pai, Adão, aos 10. Conhecido por seus murais que se espalham por 11 países mundo afora, Fredone é um dos artistas da coletiva “20/20”, que celebra o aniversário de 20 anos do Museu Vale. Sua obra está na entrada do galpão, que ganhou as cores preta, vermelha e branca pelas mãos do artista. Aliás, as cores são marca registrada de Fredone. “Essas cores são da construção civil, o branco, o cinza e o preto são cores de pintar paredes. E o vermelho representa a luta do povo da periferia em conquistar o a casa própria”, conta.

 

 

Hip hop

Seu primeiro encontro com a arte, após aprender pintar paredes, foi aos 13, quando começou a andar de skate, e na sequencia, foi apresentado ao grafite e e ao hip hop: cultura com a qual mais se identificou. “Comecei pintando muros com tinta spray enquanto andava de skate pelas ruas do bairro”. Em 2004, Fredone participou de sua primeira batalha de MCs, sagrando-se campeão. Atualmente, Fredone continua pintando paredes, fazendo grafites, faz arte em telas e em diferentes cenários. Recentememente, participou do projeto “Memória Compartida”, que o espanhol Javier Melero iniciou há 19 anos, na cidade de Misiones. “Lá, eu pintei em açougue, cemitério e igreja”.

Arte na veia

Casado com a artista Joana Quiroga, Fredone é pai de três meninas do seu primeiro casamento, e sonha que uma delas também vire artista. “Incentivo as três. Compro tintas, pinceis e rolinhos para estimular o gosto pela arte”. Fredone já participou de importantes festivais, residências e exposições de arte urbana no Brasil, em mais 11 países entre América Latina e Europa. É também coordenador do projeto Latinta, que promove o intercâmbio com artistas de rua de vários países. A seu convite, já passaram pelo Estado nomes da Suíça, Itália e México. “Mantenho vivo em mim o skate, o hip hop e a arte de rua, raízes do meu trabalho.”

 

Papo com RR

1. Não saio de casa sem: conferir se estou esquecendo o celular. (risos)

2. Abro um sorrisão quando: acerto uma manobra de skate que não acertava há tempos.

3. Viagem dos sonhos: Egito.

4. Viagem que virou realidade: Paris.

5. A música: “Negro Drama”, dos Racionais MCs.

6. O livro: “Cidades Invisíveis”, de Ítalo Calvino.

7. O filme: “Um dia, um gato”, de Vojtech Jasný.

8. Festa boa tem: paz, amor, união e diversão (princípios básicos da cultura Hip Hop).

9. Moda é: passageira.

10. O lugar do ES: SD (Serra Dourada, Serra). Eternamente em meu coração!

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4 COMENTÁRIOS

  • Javier Melero - 5 de novembro de 2018 às 20:55

    Fredone Fone es un gran artista y un enorme ser humano.

  • Givago - 8 de novembro de 2018 às 09:39

    Parabéns pelo teu trabalho e pela trajetória de vida

  • Filipe Augusto Andrade - 8 de novembro de 2018 às 10:13

    Talento + simplicidade =

  • Laurim ACSK - 29 de novembro de 2018 às 12:12

    Tive a honra de andar de skate e participar de projetos com este gigante,o movimento de rua fica muito feliz ,meus parabéns amigo Fredone!!

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